Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Dilma diz que participação de Dirceu em eventual governo 'não é provável'

Em coletiva concedida em São Paulo, candidata do PT descartou realizar ajuste fiscal e apresentou números de investimentos em São Paulo

Jair Stangler, do estadão.com.br

30 de agosto de 2010 | 18h44

SÃO PAULO - A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira, 30, não considerar provável que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP), venha a fazer parte de seu eventual governo. "Não acho provável ele compor o governo. Ele não está participando das atividades de governo atualmente", declarou a petista em entrevista coletiva concedida em SP.

 

Ouça a entrevista na íntegra:

som Parte 1: Dilma fala de investimentos federais em São Paulo

som Parte 2: Participação de Dirceu em governo não é "muito provável"

som Parte 3: Candidata descarta ajuste fiscal

som Parte 4: "Reforma tributária é prioridade"

 

Depois, Dilma tentou reformular sua resposta e afirmou que Dirceu não acha provável porque "não é o momento" para se discutir nomes. Não acho pertinente discutir isso agora. Ainda preciso ser eleita presidente", completou. A petista afirmou que a a participação de Dirceu na campanha é como militante do partido.

 

A candidata afirmou que Lula não fará parte de seu eventual governo "porque está em um patamar diferente". "Posso dizer que quero contar com a amizade, o carinho e a parceria do presidente Lula. Não há força do mundo que me afaste do presidente Lula", declarou.

 

Dilma descartou ainda que esteja sentada na cadeira antes da hora, como afirmou seu adversário José Serra no domingo, 29. Segundo ela, essa é uma característica do PSDB. "Quem literalmente sentou na cadeira foi FHC, quando perdeu a eleição para o Jânio em 1986".Dilma voltou a afirmar que não vai discutir ministério com partidos antes da eleição.

 

Investimentos em São Paulo

 

A candidata petista convocou a coletiva para rebater afirmação feita por Serra no domingo, 29, que acusou a governo Lula de não ter feito nada pela favela de Heliópolis, a maior de São Paulo. Munida de números, a candidata falou sobre investimentos feitos para construir moradias e fazer urbanização tanto em Heliópolis como em Paraisópolis. "O investimento não é irrisório. Foram R$ 203 milhões só em Heliópolis. 40% da obra, que é tocada pela prefeitura de São Paulo, já está executada." Segundo ela, dos 203 milhões, R$ 184,8 milhões são do governo federal (73,1%) e 54,6 milhões da prefeitura de São Paulo (26,9%).

 

A petista também mencionou os investimento feitos para construir casas e urbanizar Paraisópolis. De acordo com Dilma os investimentos globais em Paraisópolis chegam a R$ 318,8 milhões, em dois contratos. O primeiro contrato, também com a prefeitura, no valor de R$ 238,2 milhões, com 53% executado - R$ 106,3 milhões (45%) do governo federal e R$ 131,9 milhões da Prefeitura (55%). Em outro contrato, de R$ 80,6 milhões, este com o governo do Estado de São Paulo, a candidata disse que o governo federal investiu R$ 56,6 milhões (70%), e o Estado R$ 24 milhões (30%). Segundo ela, neste contrato, também firmado em 2007, apenas 5% foi executado.

 

Dilma aproveitou para afirmar que foram investidos R$ 8,5 bilhões em saneamento básico em todo o País entre 2007 e 2010 e R$ 4,9 bilhões em moradia. "No passado, o valor anual (do investimento em saneamento) não chegava a R$ 300 milhões", disse. "Isso é PAC, Programa de Aceleração do Cresicmento", afirmou. "Fizemos esforço para investir em saneamento e habitação e o critério sempre foi republicano", acrescentou. A candidata reforçou que ainda está longe de ser suficiente.

 

A candidata não quis se comprometer com um prazo para alcançar a universalização do saneamento porque, segundo ela, depende do trabalho dos prefeitos nas cidades.

 

Reforma tributária é prioridade

 

Perguntada sobre corte de gastos, Dilma disse que não irá fazer ajuste fiscal. Segundo ela, transformar o ajuste fiscal é uma "cegueira absurda", mas admitiu que "controlar o gasto público é obrigação." A candidata declarou ainda que a reforma tributária é prioritária. "Acho que é o momento correto para fazer a reforma tributária sem impactar a arrecadação, porque o País está crescendo." Dilma citou ainda a redução do IPI da linha branca durante a crise para afirmar que é possível ter ganho cortando impostos. Dilma também fez graça quando a visita de Serra ao impostômetro nesta segunda foi citada. "Infelizmente, parece que quebrou. É sinal dos tempos".

 

Atualizada às 20h49

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