Dilma diz que País vai voltar a crescer e que inflação será reduzida

Promessa foi feita nesta sexta, durante a entrega de 1.480 unidades habitacionais do programa 'Minha Casa, Minha Vida' na periferia de Juazeiro (BA)

Rafael Moraes Moura, enviado especial de O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 14h41

JUAZEIRO - Na mesma semana em que o Relatório de Mercado Focus apontou uma elevação na estimativa de inflação de 2015 - pela décima sétima vez seguida -, a presidente Dilma Rousseff garantiu nesta sexta-feira, 14, que o Brasil vai "voltar a crescer" e "reduzir a inflação". A promessa foi feita nesta sexta, durante a entrega de 1.480 unidades habitacionais do programa "Minha Casa, Minha Vida" na periferia de Juazeiro (BA). 

Antes do evento, por determinação do Palácio do Planalto, a Polícia Militar da Bahia barrou manifestantes contrários a Dilma, idosos e até beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida, impedindo-os de chegar próximo ao local da solenidade. Nem o vice-prefeito de Juazeiro, Francisco Oliveira, foi poupado.

"Estamos numa travessia e nessa travessia nós vamos fazer dar certo. O Brasil, podem ter certeza, vai voltar a crescer, vai reduzir a inflação", disse Dilma. A estimativa para o IPCA deste ano avançou de 9,25% da semana anterior para 9,32% agora, conforme o mais recente Relatório de Mercado Focus, do Banco Central.

Viagens. Aconselhada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente decidiu intensificar a agenda de viagens pela região Nordeste, tradicional reduto eleitoral do PT, onde Dilma também viu recentemente sua popularidade desmoronar.

"Nos últimos 13 anos, no governo do presidente Lula e do meu, fizemos uma coisa e acho que isso vai distinguir o meu governo e o dele, que é o seguinte: nós olhamos para a Bahia, para o Nordeste", afirmou Dilma, que foi recebida com gritos de "Olê-olê-olê-olá, Dilma, Dilma" e "Não vai ter golpe".

Confrontada com uma série de retaliações do Congresso Nacional, ameaça de um impeachment e o aprofundamento da crise econômica, a presidente disse que a "gente vence desafios com luta, otimismo e esperança". 

"Ninguém que olha a dificuldade e fica com medo dela vence a dificuldade. A gente só vence dificuldade com coragem e determinação. Nós sabemos que quando você começa a fazer uma coisa, muita gente olha e fala que 'não vai dar certo'. Esse pessoal nunca vai conseguir realizar o que deve ser realizado", disse a presidente, destacando que o programa Minha Casa Minha Vida "deu certo".

"O Minha Casa, Minha Vida 3 nós vamos lançar agora, até o dia 10 de setembro, e isso significa o quê? Isso significa mais 3 milhões de casas. Podem ter certeza que nós aprendemos. A cada momento, a cada vez, em cada fase, fazemos casa melhor", ressaltou.

Passado. Em um discurso com críticas veladas à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Dilma fez uma nova contraposição entre o "hoje" e "passado".

"No passado, quando havia seca, havia coisas terríveis, as pessoas tinham problema até para se alimentar, passavam fome. Hoje não tem isso. E por que não tem? Porque tem o programa Bolsa Família. Hoje, você não vê as pessoas invadindo supermercado porque não tem o que comer", comparou Dilma, ressaltando a importância dos programas sociais na região. 

A presidente defendeu no início do discurso a recuperação das margens do Rio São Francisco, que passa por Juazeiro. 

Manifestação. Antes do início da solenidade, um grupo de cerca de cem servidores públicos com faixas críticas ao governo se aproximou do local do evento. "Dilma, mãos de tesoura, cadê a pátria educadora?", entoavam os manifestantes, que seguravam cartazes de "Valorização da educação" e "Aceitamos os 41% do Judiciário".

Organizado nas redes sociais, o protesto reuniu servidores da Universidade Federal do Vale do São Francisco, do INSS e de institutos federais. O Estado acompanhou a caminhada do grupo, que ocorreu de forma pacífica, sem incidentes, até policiais militares barrarem o caminho.

Temendo o avanço do grupo, policiais militares confundiram manifestantes contrários a Dilma com o público que pretendia assistir à cerimônia, decidindo impedir a entrada de idosos, de uma cadeirante e até de beneficiários do programa que receberiam as chaves. 

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