Dilma diz que notícias sobre escolha de equipe ministerial são 'especulações'

Candidata isenta Lula de que ele já esteja elegendo nomes para formar ministérios caso seja eleita

João Domingos, de O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2010 | 15h40

LISBOA - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou neste sábado, 19, que são especulações as notícias de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está escolhendo nomes para sua equipe ministerial, caso ela seja eleita. "Lula é respeitoso, não faz isso com ninguém. Tenho certeza de que será respeitoso pelo meu governo, caso eu seja eleita".

 

De acordo com notícia publicada pelo Estado sexta-feira, 18, Lula já começou a escolher a equipe da ex-ministra. Dois nomes que constariam da lista de futuros ministros seriam os de Miguel Rossetto, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, e Paulo Okamotto, compadre de Lula e atual presidente do Sebrae.

 

Dilma disse, no entanto, que sempre vai consultar Lula quando for montar a equipe de governo. "Mas isso não significa que no meu governo, caso eu seja eleita, não haverá diferenças. Haverá. Por isso, adotamos a frase 'o Brasil seguirá mudando', para utilizar na campanha".

 

As afirmações de Dilma foram feitas logo depois de um encontro e um almoço com o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, na residência oficial do dirigente português. Sócrates presenteou Dilma com um netbook que é distribuído nas escolas públicas portuguesas.

 

Ela disse que tratou da banda larga com o primeiro-ministro. E ficou impressionada pelo fato de Portugal já estar chegando à casa dos 100 megabytes, enquanto no Brasil ainda se planeja uma internet de banda larga pública de 1 mega.

 

Dilma disse que, se eleita, vai investir na educação. "Precisamos de uma educação de qualidade, porque temos problemas na formação de mão de obra qualificada". Para Dilma, é preciso fazer com que ser professor seja uma honra para o profissional.

 

A ex-ministra da Casa Civil passou uma semana na Europa. Na terça-feira foi à França, onde ficou até quinta-feira, quando se dirigiu à Bélgica, voltou a Paris, foi para Madri na sexta e, depois, para Lisboa. Nesse périplo, ela conversou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, com o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero, e com o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates.

 

Um pouco depois, ela foi ao velório do escritor português e Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, na Praça do Município. Dilma volta ao Brasil hoje. Leva, na bagagem, horas e horas de gravação de suas atividades na Europa, feitas pelo cinegrafista José Garcia. Todas serão usadas na campanha.

 

No final da tarde Dilma foi à Rua Luiz Soriano, no Bairro Alto, participar da cerimônia de entrega das chaves da cidade de Lisboa pelo prefeito, Antonio Costa, à Casa do Brasil em Lisboa.

 

Ciceroneada pelo embaixador Celso de Souza, coube a ela até fazer um discurso em que enalteceu as relações diplomáticas e de colaboração entre o Brasil e Portugal. No fim, Dilma pediu um minuto de silêncio por José Saramago.

 

Ela permaneceu por mais de uma hora na Casa do Brasil em Lisboa. Comeu bolinhos de bacalhau e ouviu um pouco de samba.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.