Dilma diz que Mercosul precisa de 'mecanismos' contra importados

Presidente afirmou que espera a aprovação das medidas durante a presidência temporária do Uruguai no Mercosul.

João Fellet, BBC

29 de junho de 2011 | 18h54

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira na Paraguai que o bloco deve adotar medidas para evitar que países afetados pela crise econômica global busquem, no Mercosul, compradores para "produtos para os quais não encontram mercado no mundo rico".

"Precisamos de mecanismos comunitários para reequilibrar essa situação", disse Dilma em discurso durante a 41ª cúpula do Mercosul, em Assunção.

Segundo ela, o Mercosul deve assegurar que seus mercados sirvam de estímulo "ao nosso crescimento, agregar valor aos nossos produtos".

A presidente afirmou que o Brasil encaminhou à Comissão de Comércio do bloco uma proposta que visa atender a essa preocupação e que espera a aprovação das medidas durante a Presidência temporária do Uruguai no Mercosul, iniciada nesta quarta-feira e com duração de seis meses.

Na terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia defendido a adoção de medidas para impedir que os mercados sul-americanos "sejam invadidos por produtos de países que não têm para quem vender".

Ele afirmou que a proposta visa responder à postura tanto dos Estados Unidos e da União Europeia quanto de países asiáticos, que tradicionalmente exportam para europeus e americanos, mas, devido à crise nessas regiões, têm buscado com avidez os mercados sul-americanos.

Assimetrias

Em seu discurso, Dilma afirmou ainda que o Mercosul tem de reduzir as assimetrias entre seus sócios - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Segundo ela, os Estados-membros devem promover a integração de cadeias produtivas, o intercâmbio entre seus estudantes e estimular parcerias entre pequenas e médias empresas.

Os diferentes estágios de desenvolvimento dos integrantes do bloco também foram citados no discurso do anfitrião do evento, o presidente paraguaio, Fernando Lugo.

Ele afirmou que a redução das assimetrias é prejudicada por barreiras à livre circulação de mercadorias dentro do bloco.

"Garantir o livre acesso aos mercados é garantir o fortalecimento do bloco. As travas e obstáculos não farão mais do que retardar o desenvolvimento dos nossos povos."

No Paraguai, Brasil e Argentina têm sido alvo de críticas por supostamente imporem barreiras burocráticas e aduaneiras excessivas aos produtos paraguaios, além de dificultarem o acesso de produtos de exportação do Paraguai a seus portos.

Reunião bilateral

Antes de discursarem na cúpula, Lugo e Dilma mantiveram um encontro bilateral, o primeiro entre os dois governantes desde que a brasileira assumiu a Presidência.

Na reunião, segundo assessores da presidente, foram discutidas iniciativas conjuntas sobre segurança na fronteira e políticas sociais.

Dilma teria parabenizado Lugo pelo expressivo crescimento do Paraguai em 2010 - 15,3%, a maior taxa da região e segunda mais alta do mundo.

O comércio entre ambos os países chegou a US$ 3,16 bilhões em 2010, aumento de 39% em relação a 2009. Entre janeiro e maio de 2011, o intercâmbio comercial totalizou US$ 1,3 bilhão, com peso extremamente favorável às exportações brasileiras (US$ 1,1 bilhão).

Na visita, também foram assinados acordos sobre integração na cadeia produtiva do leite e de cooperação na área de TV digital - a exemplo de outros países da região, o Paraguai adota o sistema nipo-brasileiro.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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