DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Dilma diz que investigadores já sabiam quem era Temer

Petista afirma que perguntas enviadas por Eduardo Cunha ao presidente eram 'roteiro' de investigação

Vera Rosa e Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2017 | 01h00

BRASÍLIA - Na abertura do 6.º Congresso do PT, nesta quinta-feira, 2, a presidente cassada Dilma Rousseff disse que todas as denúncias contra o presidente Michel Temer eram de conhecimento dos investigadores e acusou parte do Judiciário de usar a lei como “arma de guerra”.

 “Estamos assistindo a esse processo completamente descontrolado e ninguém pode dizer que não estava claro que o que foi gravado não era de conhecimento das instituições de investigação”, afirmou Dilma, numa referência às delações da JBS.

Sob gritos de “Fora, Temer” e “Volta, querida”, a presidente cassada disse que as perguntas enviadas pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a Temer, testemunha de defesa, eram um “roteiro” de investigação. "Mais claro, impossível”, provocou ela. Algumas questões feitas por Cunha ao presidente foram vetadas pelo juiz Sérgio Moro.

Um ano após ser afastada do Palácio do Planalto, no processo de impeachment, Dilma defendeu eleições diretas antecipadas, sob o o argumento de que é uma “questão de sobrevivência” do País, e disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o seu candidato. “Não estou garantindo uma vitória, mas tem de ser garantido o direito de qualquer cidadão brasileiro competir” , afirmou ela. “Perder não é vergonha. Vergonha é ganhar no tapetão, sem voto. É tentar eleger candidato biônico.”

Para a ex-presidente, o Brasil ficará “ingovernável” se não houver reforma política nem democratização dos meios de comunicação. “Não é controle, mas é o fim dos oligopólios”, ressalvou, aplaudida pela plateia. Entre as propostas que devem ser aprovadas no 6.° Congresso do PT está a regulamentação da mídia.

Dilma disse que há uma "tentativa sistemática" de criminalizar o PT. “Estamos vendo o avanço de medidas de exceção”, insistiu. “Quando se rompe a Constituição, tudo se torna possível.”

Sentada ao lado de Lula, antes de discursar, a ex-presidente muitas vezes formava um coração com as mãos e o “jogava” para a plateia. Durante a execução da Internacional Socialista, prejudicada por problemas no som do auditório, Dilma chegou até mesmo a cantarolar alguns trechos do hino.

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