Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Dilma diz que governo interino toma medidas permanentes

Em discurso, a presidente afastada disse que o governo interino corrói o governo por dentro como um fungo, como um parasita

Luciano Coelho, Especial para O Estado de S. Paulo

16 de julho de 2016 | 14h17

Teresina - Em Teresina para receber três comendas em praça pública na noite de sexta, 15, a presidente afastada Dilma Rousseff (PT), afirmou que o  governo interino está tomando medidas permanentes e isso precisa ser visto. Em discurso, Dilma disse que o governo interino corrói o governo por dentro como um fungo, como um parasita. O ato foi organizado pela Frente Brasil Popular, pelo PT, pelo PCdoB e entidades sociais. A organização estimou entre 8 mil e 10 mil pessoas no movimento. A Polícia Militar disse que tinham cerca de 3 mil pessoas.

Dilma disse que não vai desistir e nem vai renunciar. “É meu dever resistir. Já reviraram a sua vida pelo avesso e não encontraram nada. Esse governo é uma conspiração de homens ricos e brancos.  Não vou renunciar porque não cometi nenhuma corrupção e já me viraram do lado dos avessos. Não tenho conta no exterior, e nem tenho conta nesse cartório. É um dever meu para com os votos que recebi resistir e resistir”, afirmou.

A presidente afirmou que preferia estar inaugurando obras, mas tem que lutar pela democracia e pelos direitos sociais. “Temos visto algo muito grave acontecendo no nosso país. Essa gravidade está no fato de que estão mexendo nas regras do jogo, com o jogo em andamento. Para ganhar de um time de um lado, expulsando todos os jogadores do outro. É uma irregularidade mudar as regras e querem ganhar no tapetão E sem os jogadores  poderem jogar. Isso é um golpe, porque não tem crime de responsabilidade. A última decisão do Ministério Público é dizer que não tem pedaladas. Passaram 3 anos dizendo que tinha pedalada. O Ministério Público diz que não tem, a não ser a pedalada da bicicleta que eu ando. Não tem pedalada”, acrescento falando para a população.

Dilma chamou o governo de provisório e ilegítimo. “Eu acho extremamente grave é que estão tomando medidas de cunho permanente, sendo um governo provisório. E se eu não voltar, essas medidas se tornarão permanentes”, advertiu.

“É um governo do absurdo, querem aumentar a jornada de trabalho para 80 horas semanais. Isso seria a volta à escravidão. Como trabalhar 80 horas por semana? A pessoa não tem direito a nada. Através de uma eleição direta nunca elegeríamos essas pessoas para nenhum cargo no Brasil. Imagine para presidente da República? Ele não gosta de ser chamado de golpe. Ele detesta isso. A palavra é muito forte e tem o poder de revelar, de denunciar e de esclarecer. Isso é um golpe sim!”, completou Dilma.

“Imagine que a democracia é uma árvore, quando é atacada, um machado a destrói, a derruba, tira o governo e o regime derrubando a árvore. Esse golpe que é escondido, disfarçado, é um golpe frio, a árvore não é atacada pelo machado. Mas é atacada por fungos e parasitas, que corroem por dentro a instituição e faz de toda sorte de jogo. Essa é a chave porque preferem o golpe.”, discursou a presidente.

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