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Dilma diz que Aécio ‘prejulga’ tribunais

Presidente afirma que não desrespeitou TSE e TCU ao garantir que não vai ‘cair’

Andrei Netto, enviado especial , O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2015 | 13h00

Atualizado às 23h17

Ufá - A presidente Dilma Rousseff reagiu ontem, em Ufá, na Rússia, às críticas da oposição de que passou por cima do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em recente entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, quando afirmou que não vai “cair”. O senador Aécio Neves (PSDB) acusou o PT de “golpismo” e a presidente de estar se colocando à frente das instituições públicas que apuram eventuais irregularidades em sua gestão e em suas contas de campanha. Segundo Dilma, golpista “é quem prejulga”.

A troca de acusações se arrastou durante a semana após tucanos defenderem abertamente na convenção do PSDB a realização de novas eleições antes de 2018. A coligação de Aécio protocolou no TSE no ano passado – após a derrota no 2.º turno da disputa presidencial – ação de investigação judicial eleitoral da campanha à reeleição de Dilma. 

O TCU vai analisar as contas de Dilma e entre as irregularidades citadas estão as “pedaladas fiscais” – atraso de repasses do Tesouro a bancos públicos para melhorar as contas do governo. 

“Em momento algum da minha entrevista eu passei por cima de nenhuma instituição. O TCU ainda nem deu um parecer definitivo sobre as minhas contas. Eles abriram a possibilidade de nós nos explicarmos, e nós vamos nos explicar bem explicado. A mesma coisa o TSE”, afirmou Dilma. “É estranho que prejulguem. Estranho que se trate como se tivesse havido uma decisão, quando não houve decisão alguma.”

Para a presidente, “quem coloca como já tendo tido uma decisão está cometendo um desserviço para a instituição, para o TCU e para o TSE”. “Não há nenhuma garantia para que qualquer senador da República, muito menos o senhor Aécio Neves, possa prejulgar quem quer que seja ou possa definir o que uma instituição vai fazer ou não.”

Apesar das declarações, Dilma disse que não ficaria “discutindo quem é e quem não é golpista”. 

Tucanos. Em Brasília, Aécio rebateu a fala da petista. “Desafio a presidente da República demonstrar em que instante, eu, como presidente do PSDB, dei qualquer declaração de desrespeito à Constituição e à soberania das instituições”, afirmou Aécio, da tribuna do Senado. Para o tucano, presidente nacional do PSDB, Dilma busca criar um factoide de algo que não é real. “É absolutamente inacreditável a desconexão da presidente Dilma com a realidade”, disse. 

Ao discursar durante conferência na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, Portugal, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a dizer que é preciso ter cuidado com a tese do impeachment. Segundo FHC, é necessário preservar as instituições.

“Ninguém pode aspirar derrubar um presidente. Há circunstâncias que não tem jeito, apesar do custo institucional, como foi o caso do ex-presidente Fernando Collor”, disse. “Não posso pensar no que é melhor para o meu partido. Tenho que considerar o que é melhor para o Brasil.”

O ex-presidente também comentou as denúncias de corrupção no País. “Esta corrupção não tem a ver com corrupção convencional. Ela entrou no sistema político e envolve empresas grandes e tradicionais no País. Esse problema tem que ser resolvido.” / COLABORARAM RICARDO BRITO e JOSÉ AUGUSTO FILHO, ESPECIAL PARA O ESTADO


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