Dilma diz que é produto do governo Lula e não da mídia

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, rebateu hoje, em entrevista à Rádio Banda B, de Curitiba, a acusação feita pelo seu adversário do PSDB, José Serra, de que seria "produto" da mídia e de marqueteiros. "Sinto muito, não foi a mídia que me criou, se fosse criação da mídia, não teria o potencial que eu tenho e que acho atemoriza um pouco", afirmou. "A acusação de que sou produto da mídia, me desculpe, eu sou produto do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos maiores governos que este País teve."

EVANDRO FADEL, Agência Estado

16 Julho 2010 | 17h14

No mesmo ritmo, ela acentuou que não esconde de ninguém o fato de ter participado do atual governo. "Ele (Serra) é obrigado (a esconder) porque nós sabemos qual é a avaliação que o povo brasileiro faz do governo Fernando Henrique Cardoso. Ele esconde esse fato, eu não", disse. "Acho que é complicada a vida dos meus adversários, principalmente do meu adversário, porque eles, quando puderam fazer mais, já que estavam no governo, fizeram menos, e detestam essa comparação sobre quem fez o quê." E reforçou: "Eu sou produto de um esforço imenso de um governo, sou produto disso."

Perguntada pelo repórter sobre o que diria a Serra se o encontrasse logo pela manhã, Dilma apelou para o bom humor. "O princípio elementar é o da educação, falaria bom dia. A boa educação é fundamental e tem que manter, sobretudo, diálogo, debate em alto nível, não podemos ter debate desqualificado em que as ideias não surjam de forma clara", propôs. "Eu acho que seria importante discutir com ele projetos, se o encontrasse, não ficar fazendo acusações que não levam a grande coisa e que só reduzem o nível do debate. Isso não beneficia a população nem leva a nada."

Ela disse que o Brasil estava comemorando a criação de 1.473.320 vagas de trabalho com carteira assinada no primeiro semestre deste ano. "A maior quantidade de emprego no período Fernando Henrique foi de 1 milhão e 494 mil, em um ano, nós estando criando, em menos, em seis meses, praticamente a mesma coisa", observou. "O Brasil mudou porque hoje crescemos sistematicamente." Segundo Dilma, hoje a discussão é saber se crescerá 6% ou 7%. "Antes a gente discutia se ia crescer zero ou 1%, quando crescia 2% era uma festa", comparou. "Então o Brasil mudou e, com isso, não é só que melhorou o número, mas melhorou a vida das pessoas."

Durante a entrevista, a candidata tropeçou quando falava sobre o número de escolas técnicas no Brasil. Segundo ela, de 1909 até 2003 foram construídas 140 escolas e, de 2003 até o fim de 2010, serão construídas mais 214. "Tudo isso resulta em não mais do que 500 mil vagas, se não me engano, 500 mil vagas disponíveis, que é pouquisse (sic). Me desculpe, resulta em 250 mil vagas. Eu estou errada", reconheceu. Mas confundiu o ouvinte após dizer que sua proposta é criar mais 250 mil vagas. "Então hoje nós temos construídas um total de 500 mil e seriam mais 250 mil que nós construiremos atingindo 750 mil, num esforço muito grande a gente pode tentar chegar a um milhão de novas vagas", destacou.

Mais conteúdo sobre:
eleição Dilma Rousseff Lula mídia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.