Dilma diz que denúncia não a atinge e defende Erenice

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou hoje que não se sente atingida pelas denúncias contra a ministra Erenice Guerra, que a sucedeu na Casa Civil e era seu braço direito no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de defender a ministra, Dilma chamou de "factoides" as acusações e declarou que se trata de mais uma tentativa da oposição de ganhar as eleições "no tapetão". Ela participou de evento no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), em Brasília.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

14 de setembro de 2010 | 19h06

Dilma usou os mesmos argumentos - "factoide" e "tapetão" - para se defender do primeiro grande escândalo que afetou sua campanha, a violação de sigilos fiscais na Receita Federal, que atingiu Verônica Serra, filha de seu adversário José Serra (PSDB), e outros tucanos ligados à cúpula do partido. "Tenho sido objeto de acusações sistemáticas desde que comecei a subir nas pesquisas, acusações de toda ordem que querem ligar minha campanha a fatos que não têm nada a ver com ela", afirmou.

A petista também saiu em defesa de Erenice, que trabalhou com ela no Ministério de Minas e Energia e, depois, transformou-se em sua principal auxiliar quando assumiu a Casa Civil, em 2005. Reafirmando a inocência de sua ex-auxiliar, disse que não embarcará numa trajetória que "transforma as pessoas em párias antes do julgamento". "Erenice tem experiência, capacidade e compromisso comigo".

No entanto, se furtou às perguntas sobre a participação de Erenice em seu ministério, caso vença as eleições. Dilma afirmou que não coloca o carro na frente dos bois e que seria pretensiosa se falasse em ministério antes do resultado do pleito. Nos bastidores, o nome de Erenice despontava como eventual chefe de gabinete de Dilma - cargo atualmente ocupado por Gilberto Carvalho no governo Lula.

Trajetória

Dilma voltou a defender que todas as acusações sejam apuradas. Ela lembrou que o governo já tomou providências e que a própria Erenice colocou seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à disposição da Comissão de Ética Pública e da Polícia Federal (PF). Também observou que a Controladoria-Geral da União (CGU) fará uma sindicância em todos os contratos dos Correios.

Sem citar o nome de Serra, ela aproveitou para mandar um recado indireto ao tucano. Segundo Dilma, quem investe em campanhas "desse nível, perde o respeito com o povo depois das eleições". "Perde toda uma trajetória dignamente construída ao longo dos anos. O povo é implacável com quem acusa sem provas", rebateu.

Serra afirmou que a Casa Civil, principal órgão auxiliar da Presidência da República, transformou-se numa "central de maracutaias" no governo Lula. Erenice e seu filho, Israel Guerra, foram acusados de fazer lobby para que uma empresa de transporte de cargas renovasse o contrato com os Correios, no valor de R$ 84 milhões.

Sobrevivente do extermínio

Dilma também comentou a declaração do presidente Lula feita ontem, durante comício em Joinville (SC), defendendo que o DEM seja extirpado da política nacional. "Para quem falou que ia acabar com a minha raça, não dá para me queixar. Sou uma sobrevivente de um processo de extermínio", respondeu.

A petista complementou explicando que fala em "luta política", enquanto seus adversários desejariam ganhar a eleição "com o golpe". Ela fez alusão às declarações do então presidente do PFL (hoje DEM), Jorge Bornhausen, que nas eleições de 2006 disse que era preciso "acabar com essa raça". Ele se referia ao PT, então no centro do escândalo do mensalão.

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