Dilma diz que afirmações de Serra 'não honram biografia' do candidato

Candidata do PT à Presidência respondeu sobre as insinuações do tucano de que, se eleita, ela seria conivente com movimentos como o MST

Carol Pires, de O Estado de S. Paulo,

29 de agosto de 2010 | 19h28

A petista Dilma Rousseff (PT) afirmou neste domingo, 29, que as insinuações do adversário dela na corrida presidencial, Jose Serra (PSDB), de que, caso eleita, seria conivente com movimentos radicais, como o MST, "não honram a biografia dele".

 

"Eu acho que parece que eles não aprendem. Isso eles já fizeram em 2002. Tentaram ao longo do governo do presidente Lula, sistematicamente, criar um clima de oposição muito acirrada, enfim, de tumulto."

 

As declarações de Dilma foram feitas à tarde, antes do início de mais uma sessão de gravação de seus programas eleitorais para a TV. Logo depois, quando Dilma já estava no estúdio, sua assessoria foi informada de novas críticas de Serra, agora de que a petista está sentando na cadeira um mês antes da eleição e que isso "é uma atitude que talvez seja falta de respeito com os eleitores." De acordo com a assessoria de Dilma, ela jamais se sentou na cadeira presidencial e esclarece isso em todas as entrevistas.

 

Dilma disse ainda, na entrevista, antes do início das gravações, que Serra tenta "se evadir" do debate de propostas para o País quando diz que a eleição dela seria a "terceirização da Presidência". "Eu acho esse tipo de declaração é uma forma de se evadir da questão central. A gente tem que discutir propostas. Eu de fato não vou rebaixar o nível da discussão - vou repetir de novo essa expressão - nem amarrada", rebateu a petista.

 

Diante da pressão de aliados, que insistem em tratar dos cargos do futuro governo tendo em vista a vantagem de Dilma Rousseff nas pesquisas, a candidata afirmou que não trata do assunto. Ao falar sobre propostas para popularização do acesso à internet Banda Larga, a petista não quis comentar quem ocuparia a presidência da Telebrás porque seria, de acordo com ela, "colocar o carro na frente dos bois".

 

"Eu não vou discutir governo, como eu disse para vocês. Seria da minha parte uma pretensão", disse Dilma, para completar: "Qualquer discussão de nome da minha parte, e da minha campanha, é factóide. Eu desautorizo todas as especulações sobre quem quer que seja ocupar qualquer cargo que seja. Porque nós não achamos isso politicamente correto, eticamente correto, e é colocar o carro na frente dos bois". Segundo Dilma, nenhum partido político a procurou para falar sobre nomeações. "Até agora, para mim, essa questão só chegou através da imprensa".

 

A tentativa do ex-ministro José Dirceu de tentar evitar que o também ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci assuma a Casa Civil no possível governo de Dilma, conforme revelou o Estado, é, segundo a candidata, "um factóide". "Vou repetir isso mais uma vez: a campanha, a coordenação da campanha está aqui presente, nenhum de nós autoriza isso (discussão de cargos)".

 

Viagens

 

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, informou que Dilma deve fazer a primeira viagem de campanha ao Norte do País nas próximas semanas, provavelmente ao Pará, maior colégio da região. Nesta semana, Dilma tem agenda em São Paulo, capital, segunda e quarta-feira. Na quinta-feira vai a Foz do Iguaçu (PR) e na sexta-feira a Canoas (RS). Dilma deve tirar um ou dois dias de folga nos próximos dias, quando nascer o primeiro neto dela, filho da única filha, Paula.

 

Sobre novas visitas a São Paulo e Minas Gerais, onde os candidatos aos governos estaduais ligados ao governo federal enfrentam problemas, Dilma Rousseff disse que continuará dando atenção aos dois maiores colégios eleitorais do País, "mas sem descuidar dos outros Estados".

 

Em Minas Gerais, o candidato ao governo do Estado pelo PMDB, Hélio Costa, tem perdido vantagem para o adversário tucano, Antônio Anastasia. Em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) está 24 pontos porcentuais à frente do candidato ao governo pelo PT, Aloízio Mercadante, aponta a última pesquisa Ibope/Estado.

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