Dilma diz que acusação de ex-diretor da Petrobrás não lança 'suspeita' sobre governo

No entanto, presidente indicou que poderá tomar medidas 'mais fortes' imediatamente

Rafael Moraes Moura, Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2014 | 14h55

 BRASÍLIA – Em meio à repercussão das revelações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, a presidente Dilma Rousseff disse neste domingo que a lista de nomes apresentada por Costa “não lança suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado”. Dilma indicou, porém, que poderá tomar medidas “mais fortes” imediatamente, caso as denúncias sejam comprovadas. Além de participar do desfile de Sete de Setembro, em Brasília, a candidata a reeleição a presidência atendeu jornalistas em uma coletiva.

No depoimento de delação premiada, Paulo Roberto Costa citou o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão; os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros -- todos do PMDB --, além do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no último dia 13.

“Meu querido, eu acho que (o nome de Lobão aparecer no depoimento de Paulo Roberto Costa) não lança suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado”, comentou Dilma ao ser questionada pelo Broadcast Político, em coletiva de imprensa concedida no Palácio da Alvorada neste domingo. 

Questionada sobre a permanência de Lobão no governo, após a revelação da revista “Veja”, Dilma disse que não pode tomar “nenhuma providência” enquanto não tiver “todos os dados oficialmente entregues”. 

“Não acredito que os dados que a imprensa têm fornecido são oficiais. Ao ter os dados, tomarei todas as providências cabíveis, todas as medidas inclusive se tiver de tomar medidas mais fortes”, ressaltou.

Acusação. Dilma disse a jornalistas que não conversou com o ministro Lobão nos últimos dias. “Nem ele sabe do que é acusado, porque não está na matéria (da revista “Veja”). Ninguém sabe. Não pode ser assim o Brasil”, observou.

“E quero dizer mais: o governo tem tido em relação a essa questão (investigação da Petrobras) uma posição extremamente clara. Aliás, foram órgãos do governo que levaram a essa investigação. Foi a Polícia Federal, não caiu do céu. O governo está investigando essa questão.”

Mensalão. Para fragilizar Dilma, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, chamou as denúncias do ex-diretor da Petrobrás de “mensalão 2”, numa referência ao escândalo de corrupção que marcou o governo Lula, em 2005. 

Ex-ministra da Casa Civil e também de Minas e Energia, Dilma presidiu o Conselho de Administração da Petrobrás na época da compra da refinaria de Pasadena (EUA). À PF, Costa disse que houve pagamento de propina nesse negócio, que causou prejuízo de US$ 792 milhões à empresa, de acordo com o Tribunal de Contas da União. 

Em março, o jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que Dilma votou a favor da compra da refinaria, quando comandava o conselho da estatal. Questionada, ela disse que só aprovou a transação porque recebeu relatório “falho” sobre o assunto. Depois de vir à tona, o negócio passou a ser investigado por duas CPIs no Congresso.

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