Fernando Bizerra Jr./Estadão
Fernando Bizerra Jr./Estadão

Presidente elogia atleta que respeita o vencedor

Dilma faz declaração sem citar oposição; em Minas, Lula fala em ‘golpe’ contra sucessora

O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 13h40

Atualizado às 23h42

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff aproveitou nesta quinta-feira, 27, a cerimônia de comemoração dos 10 anos do Bolsa Atleta para mandar recados à oposição e dizer que no esporte os atletas “podem sofrer derrotas, mas respeitam o adversário” e aceitam o “resultado do outro atleta”. “É possível sofrer derrotas, dificuldades no caminho, mas todo atleta levanta e segue em frente. Muitas vezes, não ganha na primeira, mas ganha na segunda ou na terceira. E segue lutando para ganhar. E respeita o resultado do outro atleta, que é o vencedor”, disse a presidente.

A declaração de Dilma foi interpretada como um recado indireto ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), com quem disputou a eleição presidencial do ano passado. A campanha eleitoral da chapa Dilma Rousseff/Michel Temer reeleita em 2014 é alvo de ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de autoria do PSDB e da coligação Muda Brasil, encabeçada pelo senador tucano. 

Na quarta-feira o TSE formou maioria para aceitar recurso do PSDB e dar continuação a uma ação de impugnação dos mandatos de Dilma e Temer.

O fato de a maioria dos ministros do TSE – quatro de sete integrantes da corte – ter votado a favor da continuidade da ação que pede a cassação da chapa acendeu uma luz amarela no Planalto, que acreditava que esse assunto estivesse resolvido.

Em fevereiro, a ministra Maria Thereza de Assis Moura havia arquivado o processo proposto pela coligação de Aécio alegando que não havia provas para dar prosseguimento à ação. O julgamento foi suspenso por um pedido de vista.

Lula. Em Montes Claros, no norte de Minas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta quinta que há um “golpe” para tirar Dilma do cargo. O ex-presidente cobrou respeito à democracia. “Eu gostaria que todos aqueles que todo o santo dia inventam um golpe para tirar a Dilma aprendessem a respeitar a democracia”, afirmou em discurso para uma plateia de movimentos sociais e sindicalistas no evento Primeiro Encontro dos Povos das Gerais. “Eu perdi a eleição por três vezes. Se eles querem o poder, que esperem 2018. Mas que não venham com golpe.”

O ex-presidente encerrou o seu discurso dizendo que a crise é passageira e que o povo brasileiro vai superá-la sob o comando da presidente Dilma.

Lula falou para uma plateia de aproximadamente 2,5 mil pessoas. O ex-presidente foi apresentado ao público como “nosso candidato” pelo governador petista Fernando Pimentel – que depois se corrigiu: “Nosso convidado”.

Um protesto organizado por representantes do movimento Vem Pra Rua, convocado pelas redes sociais, reuniu um pequeno grupo de manifestantes. De acordo com a PM, cerca de 20 pessoas promoveram panelaço próximo ao local do encontro. Antes do evento, Lula se reuniu com prefeitos da região. 

Segundo um interlocutor de Lula, em conversas reservadas, o ex-presidente tem dito que duvida das ameaças de derrubada do governo pela via judiciária, por meio das ações no TSE. Para o ex-presidente e seus colaboradores, o objetivo do ministro Gilmar Mendes é desgastar a presidente e mantê-la com baixas condições de governabilidade até terminar o mandato.

‘Fogo de artifício’. Ontem, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse não ver risco para o mandato da presidente. “Acho que é mais fogo de artifício do que base real para qualquer contestação da eleição de Dilma”, afirmou o dirigente petista. Segundo Falcão, o governo vai entrar com medidas jurídicas para defender as contas da campanha. “Estão mexendo com coisas já julgadas.”

O dirigente petista também não vê risco maior para a presidente na iniciativa do ministro Gilmar Mendes de pedir investigação de uma das empresas fornecedoras da campanha. 

Falcão participou de um seminário em São Paulo no qual lideranças petistas discutem organização partidária e rumos para a legenda. Ele relatou ter feito uma palestra aos presentes sobre a conjuntura atual. Para Falcão, há a prevalência na oposição hoje da estratégia de enfraquecer a presidente.

Presidente do PT, Rui Falcão disse ontem durante um seminário promovido pelo partido em São Paulo, que a crise política “retrocedeu”. “Aparentemente há uma tática de mantê-la (Dilma) sob fogo cerrado para enfraquecê-la, porque não interessa um clima de conturbação que, no período de crise econômica, é pior ainda. Quando junta crise econômica com crise política, todos saem perdendo”, disse o dirigente. / RAFAEL MORAES MOURA, ISADORA PERON, RICARDO GALHARDO, ANA FERNANDES e JULIANA PEIXOTO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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