DIDA SAMPAIO|ESTADÃO
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Dilma diz que nunca discutiu 'guinada à esquerda'

Em café da da manhã com jornalistas nesta quinta, a presidente afirmou que não responde “só ao PT nem só ao PMDB”, mas a toda a sociedade

Isadora Peron. Carla Araújo, Tânia Monteiro e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2016 | 12h44

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que nunca discutiu uma “guinada à esquerda” na política econômica com a cúpula do PT e disse estar preocupada em assegurar o equilíbrio fiscal, o crescimento e em combater a inflação. Em café da da manhã com jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto, Dilma afirmou que não responde “só ao PT nem só ao PMDB”, mas a toda a sociedade.

“Eu não acho que estamos num País integrado só por pessoas que pensam igualzinho”, afirmou a presidente. “Acho muito bom que o PT tenha suas posições. Agora, o governo não responde só ao PT, só ao PMDB e só a qualquer um dos partidos da base aliada. Responde a todos, mas também responde às necessidades da sociedade”.

Questionada sobre as críticas de seu partido à reforma da Previdência, no momento em que o governo admite ser preciso mudanças nessa área para a sobrevivência do sistema, Dilma tentou amenizar as divergências. “A discussão nem começou”, reagiu.

A presidente disse que ninguém do PT pediu a ela uma “guinada” nos rumos da economia. “Olha, para mim não falaram isso”, desconversou. Ao ser lembrada que o presidente do partido, Rui Falcão, divulgou uma nota em dezembro, logo após a nomeação de Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, cobrando ousadia na política econômica para devolver à população a “confiança perdida após a frustração dos primeiros atos de governo”, Dilma abriu um sorriso. “Nota a gente pode fazer, todo mundo pode soltar nota, eu também solto”.

Ela ressalvou, porém, que nenhuma sigla da base aliada terá privilégio em detrimento de outra, quando o governo for analisar as propostas. “Nenhum partido dentre os que integram a base pode superar (a opinião) de outro”, insistiu. Nas fileiras do PT, o plano de governo de promover uma reforma da Previdência neste ano eleitoral é chamado de “suicídio político”.

Temer. A presidente falou ainda que mantém uma "ótima" relação com o vice Michel Temer. Questionada durante um café com jornalistas se em algum momento ela achou que o peemedebista trabalhou para assumir o seu lugar na Presidência, ela se limitou a dizer que não.

A presidente disse que iria se encontrar com ele nesta quinta, mas teve que adiar a reunião porque viajará a Porto Alegre para visitar o neto que nasceu nesta manhã.

A relação entre Dilma e Temer está abalada desde que o processo impeachment foi deflagrado, no início de dezembro. Dias depois, o vice enviou uma carta à presidente com uma série de reclamações sobre a maneira como havia sido tratado pela petista durante os últimos anos.

Alguns movimentos do peemedebista, que chegou a almoçar com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), foram interpretados por aliados da presidente como uma tentativa de se cacifar para o cargo caso realmente houvesse o impeachment.

Neste início do ano, Dilma escalou o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, para diminuir a tensão do relacionamento e tentar uma reaproximação com o vice.

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