Dilma diz não 'ver motivos' para censura no TO

Apesar de se posicionar contra a decisão do TRE, a candidata resolveu não polemizar questão por motivos de palanque

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 17h08

OURO PRETO - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira, 27, que não via motivos para a decisão do desembargador Liberato Póvoa, do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), que havia concedido liminar decretando censura ao Estado e outros 83 veículos de imprensa, proibindo-os de noticiar informações sobre a investigação que envolve o governador e candidato à reeleição Carlos Gaguim (PMDB) - apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante de organização criminosa para fraudes em licitações. 

A decisão foi derrubada pelos juízes do TRE na tarde desta segunda. Antes, durante rápida visita a em Ouro Preto (MG), Dilma comentou o assunto. A candidata petista disse que preferia não discutir a decisão do desembargador, que acolheu pedido em ação de investigação judicial eleitoral da coligação Força do Povo, formada por 11 partidos, incluindo o PT. A campanha do peemedebista em Tocantins conta com o apoio da presidenciável petista e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Dilma afirmou que governo está tranquilo em relação ás investigações que atingem o aliado, alegando que "foi o governo Lula, através da Polícia Federal, que apurou todas as irregularidades". "Agora, a decisão da Justiça eu prefiro não discutir. Acho que não teria nenhum problema se noticiasse os eventos. A gente tem de conviver com isso", disse a candidata, após participar de gravações para o programa eleitoral no centro histórico da cidade mineira. "Não vejo nenhum motivo para não anunciar, ou não noticiar. Agora, a Justiça decidiu, está decidido."

 

Em frente ao Museu da Inconfidência, na Praça Tiradentes, onde concedeu entrevista, Dilma, mesmo sem ser questionada, aproveitou para fazer uma defesa da liberdade de expressão e de imprensa, ressaltando que a eleição é o ponto alto da democracia.

 

"Sempre digo que prefiro as múltiplas vozes críticas da democracia ao silêncio da ditadura. E eu acredito que a liberdade de opinião, de imprensa, de organização. Enfim, essa eleição, ela celebra mais um momento da nossa democracia. E mostra que ela é uma democracia forte, que é uma democracia pujante. Nós vamos cada vez mais aprofundá-la", afirmou.

 

Cureau

 

A candidata do PT também rebateu as declarações da vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, que em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo criticou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha e disse que ele "quer, a qualquer custo, fazer a sua sucessora".

 

Para a petista, a vice-procuradora, como cidadã, tem o direito de falar o que quiser, mas se as afirmações estiverem vinculadas ao cargo que exerce, ela estaria "incorrendo em um pronunciamento estranho, não muito correto".

 

"Entendo essa crítica da procuradora Sandra Cureau não como uma crítica do cargo, mas como uma fala de uma cidadã. E como uma cidadã, ela tem direito de falar o que ela pensa. Agora, isso não pode ser visto como um pronunciamento do cargo, porque caso contrário ela estaria incorrendo em um pronunciamento estranho, não muito correto."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.