Dilma diz estar indignada e alfineta Cunha ao dizer que não possui conta no exterior

'Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim, não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público', afirmou a presidente em curto pronunciamento

Beatriz Bulla, Carla Araújo e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2015 | 20h51

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira, 2, que razões que fundamentam pedido de impechmeant de seu mandato são “inconsistentes e improcedentes” e se declarou “indignada” com a decisão do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que decidiu acolher os requerimentos de afastamento da petista. Em curto pronunciamento, ela ainda alfinetou Cunha ao afirmar que não possui conta no exterior e nunca ocultou patrimônio pessoal. O presidente da Câmara, que deu andamento ao pedido de impeachment nesta quarta-feira, é alvo de investigações pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da Operação Lava Jato por supostamente possuir contas na Suíça das quais seria beneficiário. “Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e inquestionável compromisso com as leis e as coisas públicas”, disse Dilma.

“São inconsistentes e improcedentes razões que fundamentam este pedido (de impeachment). Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim, não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público. Não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público existência de de bens pessoais. Nunca tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses”, declarou a presidente.

 

Acompanhada de 11 ministros, Dilma fez pronunciamento de quatro minutos no qual disse que recebeu com “indignação” a informação sobre a abertura do processo de impeachment. “Ainda hoje recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara processar pedido de impechmeant contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro”, disse a presidente. 

Negociações. A presidente Dilma Rousseff negou que o Planalto tenha negociado para tentar impedir que Cunha deflagrasse a abertura do pedido do impeachment em troca do apoio de petistas para barrar o processo contra o peemedebista no Conselho de Ética. “Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipo de barganha, muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu país, que bloqueiam a Justiça e ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública”, afirmou há pouco, em pronunciamento que durou menos de quatro minutos.

Depois de dizer que não possuía contas no exterior e nem havia ocultado do conhecimento público a existência de bens pessoais, Dilma disse que não se pode “deixar as convivências e interesses indefensáveis abalarem a democracia e a estabilidade do nosso país”, afirmou.

A presidente afirmou ainda que tem “absoluta convicção e tranquilidade quanto a improcedência desse pedido bem como com o seu justo arquivamento”. “Devemos ter tranquilidade e confiar nas nossas instituições.”

A presidente fez o pronunciamento ao lado de 11 ministros: Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), José Eduardo Cardozo (Cardozo), Gilberto Occhi (Integração Nacional), Luís Inácio Adams, (Advocacia-Geral da União), Aldo Rebelo (Defesa), Armando Monteiro (Desenvolvimento), André Figueiredo (Comunicações), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Gilberto Kassab (Cidades).

A principal ausência foi do vice-presidente, Michel Temer, que preferiu assistir ao pronunciamento do Jaburu. Temer foi informado por Cunha antes do anúncio oficial da abertura do processo de impeachment.

Cunha aceitou o pedido de impeachment contra a presidente Dilma feito pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal. O peemedebista disse que a aceitação do pedido tem "natureza técnica" e que não havia como postergar mais a decisão sobre a questão.

Cunha afirmou que o pedido seguirá "processo normal", dando amplo direito ao contraditório ao governo, e negou indiretamente uma atitude de revanche em relação ao governo. Nesta tarde, a bancada do PT havia decidido votar contra o peemedebista no Conselho de Ética. 

Assista ao pronunciamento:

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