Dilma diz ao PT que ajuste econômico é necessário para manter governabilidade

Dilma diz ao PT que ajuste econômico é necessário para manter governabilidade

Durante reunião do diretório nacional do partido e em meio às críticas pela escolha de Joaquim Levy para a Fazenda, presidente diz que confia na ‘maturidade’ dos petistas: ‘Temos que estar unidos’; direção da sigla considera guinada ortodoxa ‘coisa feita’

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2014 | 23h27


Fortaleza -  Em meio a críticas do PT e de movimentos sociais pela escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, a presidente Dilma Rousseff, que participou da reunião do diretório nacional da legenda nesta sexta-feira, 28, em Fortaleza, fez acenos ao partido e sua base, lembrou que foi eleita por forças progressistas, mas reiterou o compromisso com a estabilidade econômica e pediu maturidade à militância petista em nome da governabilidade.

"Nós temos que tomar as medidas necessárias, sem rupturas, sem choques, de maneira gradual e eficiente como vem sendo feito. Temos que estar unidos. Eu preciso do protagonismo de todos vocês e neste protagonismo destaco o PT. O PT tem maturidade e hoje, depois de todo esse período sabe que precisamos ter legitimidade e governabilidade", disse a presidente em seu primeiro encontro com a cúpula do partido depois da reeleição. 

Dilma comemorou o fato de o País terminar o ano dentro da meta de 6,5% de inflação, mas disse que não está satisfeita e que medidas devem ser tomadas. Por isso, ela desafiou o partido a renovar suas perspectivas diante das demandas econômicas. 

" A conjuntura muda, a situação do País muda, as condições da economia mudam. Nós nos adaptamos às novas demandas e damos respostas a cada uma delas. Acho que esta é a grande missão do PT", disse ela.

Por outro lado, a presidente fez afagos ao PT, garantindo que a condução ortodoxa da economia não vai afetar a essência do programa do partido. 

"Uma coisa deve ficar clara e ninguém deve se enganar sobre isso. Fui eleita por forças progressistas, não para qualquer processo equivocado, mas para continuar mudando o Brasil", garantiu.

Bem humorada, Dilma lembrou que, embora tenha sido eleita pelo PT, lidera uma coalizão de partidos e tem a obrigação de governar para todo o conjunto da população. 

"O governo não é um governo meu, no sentido que ele é só meu e eu guardo abraçadinha nele. O governo é do PT e dos partidos da nossa aliança porque nós fizemos uma aliança e dos movimentos sociais. Mas também o governo é dos que mostraram em mim e dos que não votaram", disse ela.

Os movimentos sociais que formam a base do PT tiveram atenção especial da presidente. Dilma voltou a dizer que uma das diferenças entre o segundo mandato e o primeiro será a disposição para o diálogo, em especial com os setores organizados da sociedade. 

"Quero enfatizar um aspecto que é: nós temos que olhar para os movimentos sociais. Numa sociedade democrática o Congresso é fundamental e nós temos os processos que levam ás leia, às reformas e às transformações. Mas é na nossa relação com os movimentos sociais que nós também aprendemos e recebemos todas reivindicações da parte organizada da sociedade. Uma das práticas que considero extremamente relevantes é a de ouvir sistematicamente os movimentos sociais", prometeu.

Falando para o partido, Dilma voltou a defender a reforma política, uma das prioridades da agenda petista, desta vez de forma mais objetiva, dizendo que é contra as alianças proporcionais e o financiamento empresarial de campanhas, segundo ela origem de toda a corrupção estatal.

Um dos momentos mais aplaudidos do discurso de 45 minutos foi quando Dilma disse entender e incentivar a independência do PT em relação ao governo. "Governo é governo e partido é partido", disse ela, emendando com outra tirada bem humorada. "Vocês podem criticar à vontade, mas também não exagerem".

Em meio a um dos maiores escândalos de corrupção da história do País desvendado pela Operação Lava Jato e manifestações diárias pedindo seu impeachment e até a anulação das eleições, Dilma conclamou o PT a defendê-la dos "golpistas" que, de acordo com ela, não se conformam por ficarem 18 anos fora do poder federal. 

"Eu conto com vocês para que juntos enfrentemos todos os desafios e encaremos com serenidade os golpistas de sempre, que sempre ocorreram de uma forma ou de outra na história do Brasil, mas golpistas hoje que têm uma característica. Eles não nos perdoam por estarem tanto tempo fora do poder", disse a presidente.

Sem citar nomes ou casos específicos, Dilma pediu serenidade aos petistas e alertou para o risco de provocações. 

"Vamos lidar com isso com tranquilidade e serenidade. Nós não podemos cair em nenhuma provocação. Temos ter a tranquilidade de que nosso País conquistou a duras penas a democracia".

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