Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Dilma discute com Cardozo e Wagner reação após delação de Delcídio

O governo estuda se dará algum tipo de resposta oficial

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

03 de março de 2016 | 13h13

Brasília - A presidente Dilma Rousseff convocou o ministro Jaques Wagner (Casa Civil) e o agora ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para definir as estratégias do governo em reação à delação premiada do senador Delcídio Amaral, revelada nesta quinta-feira, 3. A reunião de emergência acontece neste momento no Palácio do Planalto. 

Logo cedo, quando soube da notícia, Dilma também conversou também com o ministro da Comunicação, Edinho Silva. O governo estuda se dará algum tipo de resposta oficial.

A notícia da delação de Delcídio chegou cedo ao Planalto e causou apreensão. A primeira reação de interlocutores da presidente tem sido relativizar as declarações e questionar a "veracidade" e "necessidade de provas". Além disso, assessores palacianos têm destacado o fato de a delação de Delcídio não ter sido homologada ainda. 

Uma das teses para desqualificar a delação do senador petista é justamente o fato dele mesmo ter negado, após sair da cadeia que usaria do instrumento jurídico para tentar reduzir sua pena. 

O senador foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo pela tentativa de atrapalhar investigações. Em conversas gravadas pelo filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, o senador aparece negociando o silêncio do ex-diretor da estatal. Nas gravações, Delcídio sugere uma rota de fuga e dinheiro à família de Cerveró, para não ser mencionado em eventual acordo de delação premiada. Na delação, de acordo com a revista Isto É, o senador teria negociado com Cerveró a mando do ex-presidente Lula. Desde que deixou a prisão, o senador vinha afirmando que não faria acordo de delação premiada, pois iria "reescrever" sua história "sem revanchismo". 

Dilma cumpriu sua agenda prevista para esta manhã, com a cerimônia de posse do novo ministro da Justiça, Wellington Silva, mas em seu discurso para criticar o vazamento ilegal de informações, enfatizar que o "princípio da presunção de inocência vale para todos" e que não se pode permitir "execração pública". "Continuaremos defendendo que a presunção de inocência não pode ser substituída pelo pressuposto da culpa, nem tampouco dar lugar a execração pública, sem acusação formal e a condenação sem processo, por meio de  por meio de vazamentos ilegais e seletivos", afirmou.

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