Dilma deve recuar de veto ao Orçamento impositivo

Rebelião da base aliada, capitaneada pelo PMDB, faz presidente voltar atrás em decisão de barrar execução obrigatória de emendas individuais em 2014

Eduardo Bresciani e Tânia Monteiro , O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2013 | 21h46

Brasília - Para conter um princípio de rebelião em sua base governista, a presidente Dilma Rousseff decidiu recuar e não mais vetar os trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que garantem a execução obrigatória de emendas parlamentares individuais em 2014, o chamado Orçamento impositivo. Em troca, a base aceitou aprovar na próxima terça-feira, 17, o Orçamento do ano que vem.

O acordo foi fechado nesta quarta-feira, 11, após uma conversa da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). "Fiz agora um entendimento em nome dessa Casa com a presidente da República", anunciou Alves na Câmara, após o acordo.

O recuo do governo ocorreu após as críticas que o Planalto sofreu depois de anunciar que Dilma vetaria os trechos na LDO. O PMDB se sentiu diretamente atingido pelo anúncio do veto, uma vez que o Orçamento impositivo é uma bandeira do partido para garantir o abastecimento de recursos às suas bases eleitorais e, assim, conseguir assegurar uma bancada federal significativa. O partido deseja retomar o posto de maior bancada da Câmara, posição perdida para o PT nas eleições de 2010.

O governo avaliou que seria prejudicial abrir uma crise com o principal aliado agora, às vésperas do ano eleitoral. Isso porque as bancadas oriundas de Estados onde há problemas na montagem dos palanques com o PT, como Rio de Janeiro, Ceará e Bahia, aproveitaram o episódio desta semana para reforçar a tese de que os dois partidos não devem se aliar em 2014.

Tanto que o vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, foi acionado pelo governo para negociar uma saída.

Nesta quarta, ele disse estar convencido de que a convenção do PMDB não será antecipada de junho para abril, como querem os insatisfeitos. "Não cabe ao PMDB fazer este tipo de ameaça", afirmou o vice-presidente.

 

 

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