Dilma deve pedir diálogo com manifestantes em pronunciamento na TV

Ao 'Estado', integrantes do Planalto afirmaram que presidente também criticará violência e depredações

Tania Monteiro, O Estado de S. Paulo

21 Junho 2013 | 20h42

BRASÍLIA - Em sua fala, esta noite, em cadeia de rádio e TV, a presidente Dilma Rousseff, segundo fontes do Planalto disseram ao Estado, vai deixar bem claro que o governo quer diálogo com os movimentos sociais e os diversos segmentos que estão fazendo suas reivindicações em manifestações pelo País inteiro. Mas ela vai ressaltar que a democracia pressupõe ordem e que os atos de violência e depredações são inaceitáveis. No pronunciamento, a presidente deverá repetir um pouco do que já disse na terça-feira, durante discurso na cerimônia de envio ao Congresso do marco regulatório da mineração, que o governo está ouvindo e quer ouvir o clamor das ruas, que vai agir para vai insistir que não há como tolerar vandalismo e depredações.

Depois de passar a quinta-feira acompanhando as manifestações em todo o País, a presidente Dilma deixou o Planalto em silêncio, deixando para hoje decisão se faria ou não um pronunciamento. Ontem, Dilma estava preocupada, primeiro com o que poderia acontecer em reação à convocação da militância petista pelo presidente do partido, Rui Falcão, que acabou sendo minimizada devido à extensão das manifestações País a fora. Mas as cenas de vandalismo exibidas no Rio de Janeiro e em Brasília chocaram a presidente Dilma e a deixaram convencida que não era possível continuar em silêncio e não dar mais uma resposta àqueles atos, considerados abomináveis.

A presidente Dilma, então, convocou para a manhã desta sexta-feira a primeira reunião do dia, com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra, também foi convocado. Havia muito temor no governo em relação à violência que havia se espalhado por várias cidades e o governo queria evitar que as cenas se repetissem.

Depois de se reunir com Cardozo, foi a vez de a presidente chamar o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Dilma pediu aumento do reforço para que se garantisse que os jogos da Copa das Confederações continuassem a transcorrer sem problemas. Ela determinou reforço aos estádios e também reforço de inteligência, para que monitorasse, por prevenção, o que poderia acontecer dali para a frente, a fim de evitar novas surpresas.

A presidente Dilma recebeu ainda o ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, para conversar sobre as mobilizações e as reivindicações que estavam sendo apresentadas, para que se verificasse se havia algo a ser atendido. Em seguida, a presidente se reuniu com vários ministros que estavam preocupados com os protestos e a violência de muitos deles, no país. Dilma conversou com os ministros das Minas e Energia, das Cidades, dos Transportes e da Secretaria das Micro e Pequenas empresas. Todos deram suas opiniões sobre os movimentos.

Depois de ouvir inúmeras opiniões, no final da manhã, Dilma se reuniu com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, um de seus mais próximos colaboradores, e começou a construir o texto do pronunciamento que será feito na noite desta sexta-feira, às 21 horas. A presidente estava convencida de que não havia como se isentar de opinar, em uma situação tão grave como esta, já que todas as reivindicações acabavam, de alguma forma, chegando ao governo federal. O entendimento do governo é que os problemas não são municipais ou estaduais e que os protestos são contra as instituições e todas as instâncias de governo.

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