Dilma determina investigação de morte de extrativistas no Pará

José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo, que denunciavam crimes ambientais na região, foram assassinados nesta terça-feira

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2011 | 18h52

A presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que acionasse de imediato a Polícia Federal para investigar a morte dos extrativistas paraenses José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo. Eles foram mortos na manhã desta terça-feira, 24, em uma estrada vicinal que leva ao projeto de assentamento extrativista Praia Alta Pirandeira, localizado em Nova Ipixuna, sudeste do Pará.

Em nota oficial, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse ter informado à presidente Dilma que recebeu a denúncia do assassinato de dois líderes do Conselho Nacional dos Seringueiros no município de Nova Ipixuna e que, há tempos, os dois vinham denunciando o desmatamento e a extração ilegal de madeira na região.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que se reuniu com Dilma para discutir o  Código Florestal, comentou que a flexibilização das regras ambientais vão deixar desamparados líderes ambientais como esses, que têm a lei como instrumento de luta. Marina lembrou ainda que esses líderes trabalhavam contra o desmatamento no Pará e sucederam a irmã Dorothy, assassinada em 2005, no combate aos crimes ambientais na região.

Maria do Espírito Santo da Silva e José Claudio Ribeiro da Silva eram integrantes do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), ONG fundada pelo ambientalista Chico Mendes. O diretor da Regional Belém do CNS, Atanagildo Matos, afirmou que o casal já havia sido ameaçado diversas vezes. Segundo Matos, eles fizeram diversas denúncias na Polícia Federal, no Ministério Público e em órgãos como o Ibama e o Incra, sobre as irregularidades ambientais cometidas na região, como extração ilegal de madeira, o que teria motivado as ameaças.

Em nota divulgada pelo CNS nesta tarde, as ameaças contra a vida do casal de extrativistas começaram por volta de 2008. De acordo com familiares, desconhecidos rondavam a casa de Maria e José Cláudio, geralmente à noite, e disparavam tiros para o alto e, algumas vezes, feriam animais da propriedade do casal. / Colaborou Marcela Gonsalves

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