Dilma destaca pré-sal; Serra ataca tráfico de influência

A propaganda do PT exibida no horário eleitoral gratuito de hoje (20) à noite intensificou as afirmações de que um governo do PSDB privatizaria empresas de controle estatal, com críticas feitas inclusive por artistas e intelectuais, que se posicionaram como porta-vozes da petista. A peça sugeriu que o candidato do PSDB, José Serra, pretende privatizar a exploração da camada do pré-sal numa eventual gestão tucana. O locutor da propaganda ressaltou que no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foram vendidas "dezenas de empresas brasileiras", como a Telebrás e a Light. "O risco do Serra privatizar a Petrobras e o pré-sal está presente no dia-a-dia do povo brasileiro", afirmou um ator.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

20 de outubro de 2010 | 21h49

Na sequência, foi a vez de artistas engrossarem as críticas ao PSDB. A peça do PT exibiu imagens de evento promovido ontem (19), no Rio de Janeiro, no qual atores, cantores e intelectuais declararam apoio à candidata do PT. De acordo com o locutor, os participantes se reuniram para dizer "não ao retrocesso que a candidatura Serra representa". O primeiro artista mostrado foi o cantor e compositor Chico Buarque, que elogiou a "fibra" da candidata. "Temos um País hoje que não fala fino com Washington nem fala grosso com Bolívia e Paraguai", provocou. O teólogo Leonardo Boff avaliou a eventual eleição da candidata do PT como a vitória da verdade sobre a mentira e a cantora Margareth Menezes pediu uma mulher no Palácio do Planalto.

O chargista Ziraldo defendeu que não se deve mudar time que está ganhando, referindo-se ao atual governo do PT. O ator Osmar Prado, por sua vez, pregou que a candidatura da petista assegura a continuidade de avanços democráticos. A petista agradeceu o apoio dos artistas e aumentou as críticas, ainda que indiretas, aos adversários, explorando ainda o tema da ameaça de privatização. "Manter o modelo anterior é privatizar o pré-sal, é dar o pré-sal de mão beijada para empresas privadas internacionais", defendeu.

Já a propaganda do PSDB destacou as denúncias de tráfico de influência na Casa Civil e a suposta inexperiência da candidata do PT. Serra pregou que a Lei da Ficha Limpa trouxe mais ética para essa eleição, que pode, segundo ele, ser ainda mais correta se nela prevalecer a verdade, num processo no qual os candidatos sejam honestos, não mudem de opinião de uma hora para outra e não estejam envolvidos em escândalos, numa crítica indireta a Dilma. "Eu tenho a certeza de que os eleitores votarão em candidatos com caráter, sem disfarces e maquiagens", afirmou.

A propaganda apresentou ainda a biografia de Serra, na qual inseriu críticas à petista. O candidato foi mostrado como um político que disputou cargos, "diferente de Dilma", e não tem padrinho políticos, referência ao apoio do presidente Lula à petista. Uma linha do tempo também destacou que o PT foi contra a aprovação da Constituição Federal de 1988 e a criação do Plano Real. Em seguida, o candidato do PSDB defendeu a construção de uma economia forte que gere empregos. Para isso, propôs o controle da inflação, a criação de condições para as empresas investirem e o corte de despesas com "bobagens". "Tem de pegar pesado também com a corrupção", defendeu.

No final da peça, a viúva do líder ambiental Chico Mendes, Ilzamar Mendes, elogiou o candidato do PSDB. "Ele é um candidato que representa a causa ambiental", pregou.

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