Dilma desmente Cabral e diz que ainda não escolheu ministro da Saúde

Na segunda, o governador do Rio havia anunciado a jornalistas que Sérgio Côrtes seria o futuro titular da pasta

Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado,

01 Dezembro 2010 | 17h31

BRASÍLIA - A presidente eleita, Dilma Rousseff, declarou a médicos e especialistas nesta quarta-feira, 1º, que ainda não escolheu o nome do ministro da Saúde de seu governo. A declaração ocorreu durante o seminário sobre saúde promovido pelo governo de transição no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília.

 

Na última segunda-feira, 29, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou a jornalistas que seu secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, seria o titular da pasta no futuro governo Dilma Rousseff. Côrtes não participa do evento.

 

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A iniciativa de Cabral, no entanto, causou mal estar no governo de transição e no PMDB. A atitude de Cabral foi classificada como precipitada e, até mesmo, desastrada por um interlocutor da presidente eleita.

 

Ao fim do evento, o coordenador do governo de transição e deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) confirmou a declaração da presidente eleita. O seminário é fechado para a imprensa.

 

Dilma deixou o CCBB sem falar com os jornalistas, mas delegou a palavra a Cardozo. Segundo ele, a presidente eleita esclareceu aos presentes que escolherá o futuro titular da pasta a partir de critérios como "capacitação extrema para o desempenho da função".

 

Ela indicou o atual ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o ex-ministro Adib Jatene, que participaram do evento como expositores, como paradigmas para a definição do novo ministro.

 

Ainda segundo Cardozo, a presidente eleita explicou que fará a escolha com base em um rol de nomes que lhe estão sendo encaminhados - incluído nesta relação o nome de Côrtes. O petista acrescentou que Dilma busca um nome para o ministério com perfil "inovador e transformador".

 

PMDB. Cardozo rebateu a declaração do presidente do PMDB e vice-presidente eleito, Michel Temer, de que os ministérios da Saúde e da Defesa seriam da "cota pessoal" de Dilma. "Todos os ministros são da cota pessoal da presidente eleita", afirmou. Ele explicou que ela aceitará indicações, mas enfatizou que "a decisão final" sobre cada titular será dela.

 

Ainda durante o seminário, Dilma apontou como principais problemas da área de saúde "o subfinanciamento e a subgestão". Segundo Cardozo, ela afirmou que dará prioridade ao aprimoramento da gestão do setor e, num segundo momento, avaliará as fontes de financiamento.

 

Imposto para saúde. Ainda segundo Cardozo, Dilma afirmou que a solução para o financiamento do setor não passa, necessariamente, "pela criação ou elevação de tributos". Conforme o petista, ela não mencionou a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) durante o evento. Porém, secretários estaduais de saúde presentes defendem a recriação do tributo.

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