Dilma descarta formalização de autonomia do BC

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse hoje não achar necessário formalizar a autonomia do Banco Central (BC). "Acho que o Banco Central tem de ter autonomia operacional, como teve até hoje", afirmou durante sua participação no programa "Roda Viva", transmitido pela internet e que será exibido às 22h desta segunda-feira pela TV Cultura. Segundo ela, "não há nenhum político no Brasil que seja a favor da formalização da autonomia do Banco Central", e discutir essa questão é "perder tempo com algo que não ocorrerá".

ANNE WARTH, Agência Estado

28 de junho de 2010 | 21h05

"Hoje, o Banco Central tem autonomia operacional e está indo muito bem", afirmou. "Não há nenhum nível de manipulação. Tanto não há que não se pode dizer que o governo do presidente Lula fez qualquer manipulação sobre o BC. Alguma vez vocês ouviram dizer que, no Brasil, por duas vezes, se aumentou a taxa de juros em época de eleição? Pois nós aumentamos, porque respeitamos a orientação do BC."

A ex-ministra-chefe da Casa Civil disse não concordar com a comparação entre Banco Central e Santa Sé feita pelo adversário José Serra, quando o tucano defendeu que o BC está sujeito a erros na condução da política monetária. "Ninguém está discutindo Santa Sé nem infalibilidade. Somos todos humanos. Agora, que o BC tem hoje um nível de conhecimento que permite que ele tenha mais informações a respeito da situação financeira dos bancos internacionais e locais é algo inequívoco."

Dilma não quis responder às perguntas sobre quem seriam os indicados, em um futuro governo seu, para a presidência do Banco Central e demais ministérios. "Eu sou brasileira e sou supersticiosa, e como uma brasileira supersticiosa não sentarei em cadeira nenhuma antes de ser eleita pelo voto secreto e direto dos brasileiros", ironizou, em referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, famoso por ter posado para fotos na cadeira da Prefeitura de São Paulo antes de sacramentado o resultado da eleição, que deu o cargo a Jânio Quadros. "Qualquer discussão sobre quem vai ser ministro, presidente ou o que seja é uma discussão, para mim, extemporânea", disse. Questionada sobre quem seria sua "Dilma", uma espécie de braço direito se for eleita, respondeu estar ainda à procura de uma "Dilma ou um Dilmo".

Juros

A candidata disse ainda ser favorável a uma redução nas taxas de juros, mas de forma responsável. "Acho que caminhamos a passos sérios rumo à redução das taxas de juros, mas é preciso ter responsabilidade. Você não reduz a taxa de juros só falando ''eu quero reduzir a taxa de juros''. Para reduzir de forma sustentada, é preciso manter decrescentes a dívida líquida sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e o déficit nominal", disse ela.

"Eu acredito que, neste prazo de 2011 a 2014, mantido o crescimento em torno de 4,5% a 5,5%, nós vamos conseguir convergir para taxas de juros internacionais", afirmou, ressaltando que a taxa de juros real no País, que era de cerca de 20% em 2002, caiu para em torno de 5%. "Eu gostaria que ela se reduzisse, mas isso não é uma questão de vontade."

Questionada sobre se reduziria as metas de inflação se fosse eleita, Dilma respondeu: "Nesse curto prazo, enquanto estivermos nessa conjuntura internacional, acho uma temeridade fazer isso".

Impostos

Dilma se comprometeu hoje a reduzir a tributação sobre energia elétrica e medicamentos, se for eleita em outubro. Durante sua participação no programa "Roda Viva", transmitido pela internet e que será exibido às 22h desta segunda-feira pela TV Cultura, Dilma também defendeu a diminuição de impostos sobre a folha de pagamentos das empresas. Neste caso, porém, ponderou que essa ação deve ser acompanhada por uma reposição, por parte do Tesouro Nacional, dos recursos de que o Estado abriria mão. Ela admitiu ainda ser difícil que o País consiga uniformizar a legislação e as alíquotas de ICMS, cobradas pelos Estados de forma distinta.

A ex-ministra também prometeu zerar, se eleita, a incidência de impostos sobre os investimentos. "Eu estou me comprometendo com uma redução de impostos sobre investimentos para zero. Acho que não pode ser tributado o investimento. É errado e contra o crescimento do País", afirmou, mas sem detalhar a que tipo de investimento se referia.

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