Beto Barata/AE
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Dilma desafia FHC e volta a trocar farpas com tucanos

Presidente usou números de sua administração para se contrapor aos tucanos e neutralizar o discurso do senador Aécio Neves

TÂNIA MONTEIRO E RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

27 de fevereiro de 2013 | 19h26

A presidente Dilma Rousseff usou o seu discurso de comemoração dos dez anos de criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, para reafirmar os fundamentos econômicos de seu governo, de crescimento com estabilidade e controle da inflação, assegurando que eles estão mantidos. Dando prosseguimento à troca de farpas com os tucanos, Dilma acusou a oposição de provocar "instabilidade" ao alardear a ameaça de racionamento de energia no País, lembrando que estas vozes "se calaram" quando o racionamento não aconteceu.

A presidente também desafiou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao dizer que foi o governo do PT que criou o cadastro para as famílias receberem benefícios sociais. "É conversa que tinha cadastro. Nós levamos um tempão para fazer", atacou Dilma.

Pouco antes, de forma contundente, a presidente usou números de sua administração para "lustrar" a política macroeconômica do governo, se contrapor aos tucanos e neutralizar o discurso do senador Aécio Neves (PSDB-MG): "quando no Brasil, no passado, a gente teria uma relação dívida-PIB de 35%? Quando? Quando, no passado, na área externa, com as nossas reservas?"

Não só a presidente Dilma, mas os ministros palestrantes ignoraram qualquer feito dos governos passados. A maior parte dos slides apresentava dados a partir de 2003, quando foi iniciado o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de reiterar que seu governo manteve "a inflação sob controle", "a política de câmbio flexível" e "uma política de robustez fiscal" Dilma destacou que era preciso ter "vontade política" para fazer o Bolsa Família, o Brasil sem Miséria e o Brasil Carinhoso e, se não tiver, prosseguiu, "ninguém faz" porque, para isso, "tem de ter compromisso com os pobres desse País". Em seguida, passou a se vangloriar das medidas adotadas pelo ex-presidente Lula de criar toda "uma engenharia, uma tecnologia social" e "criar um cadastro, porque não existia cadastro".

CadÚnico. Só que, a falar disse, a presidente ignorou que, em 2001, quando houve a universalização do Bolsa Escola, programa tucano de transferência de renda, com condicionalidade de frequência à escola, os pagamentos dos benefícios eram controlados pelo Cadastro Único para Programas Sociais, CadÚnico, criado pelo decreto 3877, de 24 de julho de 2001, que em 2003 foi incorporado ao programa rebatizado por Lula de Bolsa Família. Dilma comemorou ainda a criação do Cartão "estratégico" para eliminar intermediários na liberação dos recursos. Em 2002, o governo FHC lançou o "Cartão Cidadão" que unificava o pagamento de benefícios à população pobre, como o Bolsa Escola e o auxílio gás.

Um mês depois de ter ocupado cadeia de rádio e televisão para anunciar a redução do preço da energia e reagir às notícias de riscos de apagão no País, a presidente Dilma chamou de "irresponsáveis" estes alarmistas. "Esse País tem segurança energética. Hoje, nós temos, antes da entrega dos 10 mil MW que entram esse ano, nós temos 14 mil MW de térmicas. Nunca tivemos isso na vida", desabafou a presidente, atacando "os irresponsáveis" que anunciaram apagões. "O que não é admissível para o país é que se crie instabilidade onde não há instabilidade. Exemplo: não é admissível que se diga que vai haver racionamento quando não vai haver racionamento. As mesmas vozes que disseram, em dezembro e janeiro que ia haver racionamento, se calam. E a consequência é nenhuma, o que eu acho que é uma irresponsabilidade", atacou. Para Dilma, "o que afeta a vida das empresas, a vida das pessoas, nós temos de ter cuidado, porque se coloca uma expectativa negativa gratuita para o país".

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