Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Dilma demite Chioro, propõe mais espaço para PMDB e pode trocar Mercadante

Presidente avisa a titular petista da Saúde que ele será substituído por nome do partido aliado; pressão pela saída do chefe da Casa Civil aumenta

Ligia Formenti, Vera Rosa e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2015 | 16h50

Atualizada às 23h30

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff vai mexer no núcleo do governo e em importantes ministérios. Na tentativa de mostrar ao PMDB que está mesmo disposta a sacrificar o PT para obter apoio no Congresso, Dilma demitiu nesta terça-feira, 29, por telefone, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, voltou a cogitar a possibilidade de substituir o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e já admite ampliar o espaço dos peemedebistas na equipe.

Dilma foi aconselhada a oferecer sete ministérios ao PMDB, para contemplar todas as alas, incluindo o grupo do vice Michel Temer, e não apenas a bancada do partido na Câmara.

Mercadante pode ser deslocado para facilitar a interlocução com o PMDB. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - a quem cabe aceitar ou não os pedidos de impeachment - é um dos que pregam a saída do chefe da Casa Civil.

Planejada para cortar dez ministérios, mil cargos comissionados e economizar R$ 200 milhões, a reforma administrativa se tornou um problema para Dilma. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se comprometeu a conversar de novo com líderes do PMDB, para ajudar a sucessora nas negociações.

Na curta conversa com Chioro, ontem, Dilma disse que ele deve ficar no cargo apenas até amanhã (mais informações nesta página), quando o governo pretende concluir as mudanças no primeiro escalão. O mais cotado para substituir Chioro, filiado ao PT, é o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). O Ministério da Saúde tem o maior orçamento da Esplanada – R$ 121, 2 bilhões neste ano – e sempre foi considerado a “joia da coroa” para o PT. Dilma, porém, vai usar os cargos para tentar barrar pedidos de impeachment na Câmara e aprovar o ajuste fiscal.

O impasse para concluir a reforma ministerial ocorre porque a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados exige duas pastas e não quer abrigar em sua cota ninguém indicado pelo grupo de Michel Temer.

Cultura no pacote. Para fechar a equação, Dilma pretende pôr na roda o Ministério da Cultura, hoje controlado por Juca Ferreira, também do PT. Um aliado de Temer disse ao Estado que o deputado Edinho Bez (PMDB-SC) poderia assumir o posto. Caso haja resistência, porém, a presidente tem outra opção: deslocar Aldo Rebelo (PC do B), que está na Ciência e Tecnologia, para a Cultura. A alternativa abriria caminho para o PMDB ocupar a pasta dirigida por Aldo.

Em conversa ontem com Temer, Dilma reiterou que quer manter na equipe o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, homem da confiança do vice. Padilha e os ministros Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Helder Barbalho (Pesca) fizeram um pacto de que, se um sair e ficar “na chuva”, todos entregarão os cargos.

Dilma foi aconselhada por Lula e pelo governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, a ceder sete ministérios ao PMDB. O primeiro desenho da reforma previa cinco pastas ao partido. Esse número logo subiu para seis e, agora, já se fala em sete.

A ideia é que a bancada do PMDB na Câmara fique com os ministérios da Saúde e de Portos. Pela proposta do governo, o grupo do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e do líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (CE), controlará Minas e Energia e Aviação Civil. Renan é um dos autores da proposta de redução dos ministérios.

No desenho apresentado, a ala ligada a Temer ficaria com Turismo e, possivelmente, Cultura. O grupo de Temer alega, no entanto, que o sétimo ministério seria para o PMDB da Câmara. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, será mantida na cota pessoal de Dilma.

O ministério da Pesca, hoje nas mãos de Helder Barbalho – filho do senador Jader Barbalho (PA) – será incorporado à Agricultura. Depois das queixas de Jader sobre a possibilidade de demissão do filho, Dilma decidiu segurar Helder. O plano é que ele fique com Aviação Civil. Não se sabe até agora, porém, o destino de Padilha, para quem já foi oferecido o comando da Infraero.

Filiado ao PT, o ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas, disse nesta terça ao Estado que voltará a ser deputado. “Vou retomar meu mandato na Câmara.”

Em conversa com senadores do PT na noite de segunda-feira, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini – que assumirá a articulação política do Planalto – disse aos colegas que todos devem se resignar porque o cobertor “é curto”.

Ele assumirá o novo Ministério da Secretaria de Governo, que pode abrigar a Secretaria de Relações Institucionais e até a Controladoria-Geral da União (CGU). O PDT foi convidado para tocar Comunicações. Direitos Humanos, Políticas para Mulheres e Igualdade Racial serão fundidas no Ministério da Cidadania, que deve ficar com Miguel Rossetto (PT). 

Mercadante. Aliados e membros das cúpulas do PT e do PMDB voltaram a defender a saída do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Um dos sinais de esvaziamento de Mercadante, segundo relatos de parlamentares e ministros envolvidos nas negociações da reforma ministerial, é o fato de o petista não estar participando das principais conversas conduzidas pela presidente Dilma sobre o redesenho dos espaços no governo.

Mercadante, conforme petistas, poderá ser substituído pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner, ligado ao ex-presidente Lula. / COLABORARAM ERICH DECAT, JULIANA DAL PIVA, ADRIANO CEOLIN e RICARDO BRITO

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