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Dilma defende 'renovação' do futebol brasileiro

Em entrevista à rede americana CNN, presidente comenta cenário do esporte no País e gastos com o Mundial

Claudia Trevisan, correspondente em Washington, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2014 | 16h56

Atualizado às 17h34 - Em entrevista apresentada nesta quinta-feira, 10, pela CNN, a presidente Dilma Rousseff defendeu uma "renovação" no futebol brasileiro que interrompa a exportação de bons jogadores do país e sirva como um elemento de atração de espectadores aos estádios, especialmente os que foram construídos para a Copa do Mundo.

"O Brasil não pode mais continuar exportando jogador. Exportar jogador significa não ter a maior atração para os estádios ficarem cheios", ressaltou. "Qual é a maior atração que um País que ama o futebol como o nosso tem para ir num jogo de futebol? Ver os craques. Tem craques no Brasil que estão fora do País há muito tempo." Segundo ela, um País com a paixão pelo futebol como a do Brasil "tem todo o direito de ter seus jogadores aqui e não tê-los exportados".

A defesa da renovação do futebol foi feita em resposta a uma pergunta sobre os elevados gastos com a Copa do Mundo -US$ 14 bilhões comparados a US$ 4 bilhões usados na África do Sul em 2010. A presidente afirmou que os estádios consumiram apenas US$ 4 bilhões do total e comparou o valor aos US$ 850 bilhões gastos pelas três esferas do governo com saúde e educação entre 2010 e 2013.

O restante dos recursos foram aplicados em obras que eram necessárias, como aeroportos, sustentou a presidente.

Dilma reconheceu também que a Alemanha "jogou muito bem" na partida em que derrotou o Brasil por 7 a 1, na terça, e que felicita a primeira-ministra Angela Merkel pela vitória. "Quando você perde, você tem de cumprimentar o adversário. Não é uma guerra, é um jogo, e é por isso que o futebol encanta", observou. "Então eu vou cumprimentar a Angela Merkel e dizer para a chanceler que o time dela jogou muito bem. E ela esteja de parabéns."

A entrevista foi realizada ontem em Brasília pela jornalista Christiane Amanpour. A emissora transmitiu um curto trecho na quarta, sobre a derrota para a Alemanha, e a maior parte nesta quinta.

A presidente adotou um tom ameno ao falar do escândalo de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), que levou ao cancelamento da visita de Estado que faria aos Estados Unidos no ano passado. Em sua avaliação, o problema não foi provocado pela administração de Barack Obama, mas pelo processo iniciado depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2011.

"Isso não implicou nenhuma ruptura com o governo Obama", disse, ressaltando que os dois países são "grandes parceiros estratégicos". Segundo Dilma, os EUA deram "vários passos" para reduzir as preocupações do Brasil nessa área. Mas ela ressaltou que seu governo continua a exigir que alguém da administração Obama assuma o compromisso de que atos de espionagem como os que ocorreram não se repetirão.

A presidente falou de seu passado e das torturas que sofreu nos três anos em que ficou presa durante o regime militar no Brasil, nos anos 70, quando foi colocada no pau de arara e submetida a choques elétricos. "O pior era o choque elétrico. É a forma mais... é uma dor que anda", lembrou. "Nós não podemos aceitar, em lugar nenhum do mundo, a ocorrência de tortura, sob qualquer alegação. Eu nunca vi um processo de tortura não destruir a instituição que pratica, que pratica a tortura."

Lembrada por Amanpour que a tortura continua a ser usada por policiais no Brasil, Dilma respondeu que esse é um dos "maiores desafios" do País. "O combate à criminalidade não pode ser feito com os métodos dos criminosos. Muitas vezes isso ocorre, e nós não podemos também deixar intocada a estrutura prisional brasileira."

A presidente defendeu mudanças nos dispositivos da Constituição que definem a segurança pública como uma tarefa dos Estados. "Essa é uma questão que tem de envolver o Executivo federal, o estadual, a Justiça estadual e federal, porque também há uma quantidade imensa de prisioneiros em situações sub-humanas nos presídios." 

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