Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Dilma defende presidente da Petrobrás

A presidente Dilma Rousseff defendeu ontem a presidente da Petrobrás, Graça Foster, que poderá ser incluída na lista de dirigentes e ex-dirigentes da estatal responsabilizados pelo Tribunal de Contas da União por prejuízo causado pela compra da refinaria de Pasadena (EUA). Dilma disse achar "um absurdo" a possibilidade de Graça ter bens bloqueados pela corte.

O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2014 | 02h00

Se isso ocorrer, Graça corre o risco de perder o cargo, pois a avaliação no Planalto é que sua situação ficará insustentável.

Ontem, em Iturama (MG), Dilma afirmou que suspeita de interesses obscuros no processo do TCU. "Acredito que tem por trás dele (do processo) outros interesses", disse durante visita a obras da Ferrovia Norte Sul, no Triângulo Mineiro. "Acho que é um absurdo colocar as diretorias da Petrobrás submetidas a esse tipo de procedimento." Questionada sobre quem estaria por trás do processo, afirmou: "Não são aqueles que estão fundamentados na melhoria da gestão pública".

'Absurdo'. Ao falar sobre a atuação do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, no caso, Dilma afirmou que ele estava "reprovando, por absurdo, que uma pessoa íntegra, correta, competente e capaz não pode ser submetida a esse tipo de julgamento". Na quarta-feira, Adams foi ao TCU e disse não ver necessidade de se tornar indisponíveis os bens de Graça e de outros indicados no processo. Ao jornal O Globo, ele afirmou que o bloqueio poderá inviabilizar a permanência dela no cargo.

O ministro relator do caso no TCU, José Jorge, já se manifestou pela inclusão de Graça e do ex-diretor Jorge Zelada na lista dos responsabilizados pela corte. Relatório sobre a compra de Pasadena apontou 11 dirigentes e ex-dirigentes entre possíveis responsáveis por prejuízo de US$ 792,3 milhões à empresa.

A situação de Graça foi tratada em reunião de Dilma com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anteontem, em São Paulo. O diagnóstico foi que o TCU virará um "tribunal de exceção" se tornar os bens da presidente da estatal indisponíveis.

"Não se pode condenar uma pessoa sem ouvi-la", disse o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini.

A Petrobrás enviou ontem comunicado ao mercado informando que seu conselho de administração "refuta, por inverídicas, quaisquer especulações sobre a saída da presidente Maria das Graças Silva Foster". / VERA ROSA, LUANA PAVANI e CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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