Roberto Stuckert Filho/Divulgação
Roberto Stuckert Filho/Divulgação

Dilma defende 'medidas corretivas' no governo para manter 'projeto vitorioso nas urnas'

Na primeira reunião ministerial do segundo mandato, presidente alega que ajuste fiscal é necessário para manter crescimento

Eduardo Rodrigues, Ricardo Brito, Carla Araújo e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

27 de janeiro de 2015 | 17h07


BRASÍLIA - Na primeira reunião ministerial do segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff defendeu nessa terça-feira, 27, medidas corretivas” para manter o rumo do País, mas garantiu que direitos trabalhistas são “intocáveis”. Pressionada por sindicalistas, pela oposição e até por aliados, que mostram incômodo com o endurecimento das regras para concessão de benefícios como o seguro-desemprego, Dilma também convocou a equipe de ministros a travar a “batalha da comunicação” para impedir o que chamou de “falsa versão” dos fatos. 

“Os ajustes que estamos fazendo são necessários para manter o rumo, para ampliar as oportunidades, preservando prioridades sociais e econômicas do governo que iniciamos há 12 anos”, disse Dilma, ao abrir a reunião ministerial, na Granja do Torto. 

O discurso da presidente foi pontuado por recados políticos, após a divulgação de um “saco de maldades” na economia e no rastro de uma série de protestos levados a cabo até pelo PT depois que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou várias medidas repudiadas pelo partido durante a campanha eleitoral. 

Cobrada até mesmo por aliados a fazer um contraponto à agenda negativa, a presidente disse, em seu primeiro pronunciamento após a posse, no dia 1.º, que não se desviou dos compromissos assumidos. 

“Mostraremos que não alteramos um só milímetro do projeto vencedor das eleições”, destacou a presidente. 

Em 40 minutos de discurso, Dilma também mencionou a corrupção na Petrobrás, os “vultosos investimentos” para combater a crise hídrica e o impacto da seca no preço da energia, mas não deixou dúvidas de que o principal assunto no cardápio da reunião era a defesa da política econômica. 

Levy, mais tarde, fez um diagnóstico sobre a situação fiscal, apontando o ajuste em curso como saída para a manutenção do desenvolvimento econômico e social. “Estamos diante da necessidade de promover um reequilíbrio fiscal para recuperar o crescimento da economia o mais rápido possível, criando condições para a queda da inflação e da taxa de juro no médio prazo e garantindo, assim, a continuidade da geração de emprego e renda”, argumentou Dilma, diante de 39 ministros. “Tomamos algumas medidas que têm caráter corretivo, são medidas estruturais que se mostram necessárias em quaisquer circunstâncias.” 

Na lista das correções de rota, ela citou o seguro-desemprego, o abono salarial, a pensão por morte e o auxílio-doença. Disse ser necessário adequar os benefícios às novas condições “socioeconômicas” do País, mas negou prejuízos aos trabalhadores e fez questão de separar o ajuste fiscal dessas iniciativas. 

O governo tem nova negociação com representantes de centrais sindicais no próximo dia 3, em São Paulo, e já sabe que, no Congresso, a proposta que torna mais rígido o acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários poderá sofrer alterações para ser aprovada. Por enquanto, porém, Dilma define o que a oposição batizou de “saco de maldades” como “aperfeiçoamento de políticas sociais para aumentar sua eficácia, eficiência e sua justiça.” Foi ao dizer que somente o reequilíbrio das contas públicas permitirá a preservação de programas sociais, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Mais Médicos que Dilma orientou os ministros a se unirem na defesa das medidas do governo, mesmo as mais indigestas. 

‘Batalha’. “Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre e permanentemente. (...) Nós não podemos permitir que a falsa versão se crie e se alastre. Reajam aos boatos, travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião pública. Sejam claros, sejam precisos, se façam entender. Nós não podemos deixar dúvidas”, insistiu ela. 

Sem esconder o incômodo com o desgaste provocado por medidas que restringem os benefícios trabalhistas, e devem economizar R$ 18 bilhões por ano aos cofres públicos, Dilma voltou a bater na mesma tecla. 

“Quando for dito que vamos acabar com as conquistas históricas dos trabalhadores, respondam em alto e bom som: “Não é verdade! Os direitos trabalhistas são intocáveis e não será o nosso governo, um governo dos trabalhadores, que irá revogá-los.” 

Petrobrás. Dilma também aproveitou a reunião ministerial de ontem para defender a Petrobrás, alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que desbaratou um esquema de corrupção na estatal. 

A preocupação do governo é com prejuízos ao ambiente de negócios, à exploração do pré-sal e ao fechamento de postos de trabalho, após a avalanche de denúncias que atingiu a empresa petrolífera. 

“Nós temos que saber punir o crime, mas nós temos de saber fazer isso sem prejudicar a economia e o emprego do País. Temos de fechar as portas para a corrupção. Nós não podemos, de maneira alguma, fechar as portas para o crescimento, o progresso e o emprego”, afirmou a presidente. 

“Punir, ser capaz de combater a corrupção não pode significar a destruição de empresas privadas também. As empresas têm de ser preservadas, as pessoas que foram culpadas é que têm que ser punidas.”

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