Dilma defende mais investimento de países superavitários

A presidente Dilma Rousseff repetiu o discurso feito mais cedo pelo presidente francês François Hollande que pede reação dos países com superávit comercial elevado no enfrentamento à crise. "Achamos que os países superavitários deveriam tomar providencias para ampliar investimento. É importante trabalhar com outros países para evitar que as políticas recessivas continuem a impedir o crescimento internacional", disse Dilma em coletiva de imprensa após reunião com Hollande.

FERNANDO NAKAGAWA, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

11 de dezembro de 2012 | 17h09

Horas antes, o presidente francês havia defendido a mesma questão. "Há países que podem reduzir o superávit comercial", disse. Entre as grandes economias com elevados superávits na balança comercial, há notadamente dois países: Alemanha e China. Os países, porém, não foram citados por Dilma, nem por Hollande.

A presidente brasileira repetiu o discurso feito semanas antes na Espanha de que a austeridade não é a melhor opção como reação à crise. "Concordamos que políticas exclusivas de austeridade mostram seus limites. Os limites estão dados pelo fato de que, ao invés de reduzir a crise, isso amplia a crise", disse, ao comentar que países têm observado aumento do desemprego, desesperança e redução das classes médias. "O que é lamentável já que a classe média é a base do estado de bem estar social", disse Dilma.

Para reagir, Dilma defende uma "nova forma" de agir em uma estratégia que possa misturar crescimento econômico com responsabilidade e justiça social. "Espero que prevaleça a saída da crise com um plano de ajuste de médio e longo prazo, com aumento dos investimentos no curto prazo", disse.

Assinatura de acordos, mas não militar

Já o presidente François Hollande disse que "por enquanto" não anunciaria nenhum contrato na área militar com o Brasil. "Na área de defesa, temos uma grande cooperação, como submarinos e helicópteros. Mas, por enquanto, não quero falar de contratos. Quero falar da qualidade da relação entre os dois países", disse Hollande.

Logo após assinar oito acordos em várias áreas com o Brasil, o presidente francês comemorou o avanço da relação entre os dois países. "Acabamos de assinar muitos acordos em diferentes domínios como educação, correios e até sobre a champagne. Juntos, temos projetos ainda maiores, sobretudo no setor industrial", disse, ao comentar que há "uma série de projetos" em comum como transportes, segmento aeronáutico, militar, civil e alimentar.

Hollande afirmou, ainda, que os dois presidentes voltarão a se reunir no próximo mês, quando ele e Dilma inaugurarão uma ponte na divisa entre o Brasil e a Guiana Francesa.

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