André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Presidente tenta diminuir pressão sobre Levy

Em entrevista, Dilma faz defesa do titular da Fazenda, nega que ele esteja ‘isolado’ e afirma que governo, após chegar a consensão, tem posição ‘de todos nós’

TÂNIA MONTEIRO, ISADORA PERON e Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2015 | 14h41

Atualizado às 22h34

Brasília - Preocupada com as especulações sobre enfraquecimento ou possível saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a péssima repercussão dos boatos no mercado, a presidente Dilma Rousseff encampou publicamente a defesa do principal nome da equipe econômica.

Nesta quarta manhã, Dilma avisou que queria falar com a imprensa e, na entrevista, fez uma defesa veemente de Levy, ressaltando que ele “não está isolado”, “não está desgastado”, e que essa discussão é um “desserviço para o País”.

Ao mesmo tempo, a presidente fez questão de elogiar o ministro Nelson Barbosa e sua equipe no Planejamento, depois de comparar as divergências que existem no governo com as que ocorrem em todas as famílias, que “não significa que a família está desunida”. “A partir do momento que temos uma posição, a posição é de todos nós.” 

Confiança. A operação de blindagem ocorre no momento em que surgem novos ataques a Levy e manifestações, agora não só mais do PT, contra a política econômica. Uma delas será realizada no sábado, em Belo Horizonte, pela Frente Brasil Popular. Dilma está preocupada com o futuro do ministro e quer tentar barrar as especulações, mostrando que ele está fortalecido e que desfruta da sua confiança. 

“O ministro Levy não está desgastado dentro do governo. Ele participou conosco de todas as etapas da construção desse Orçamento. Ele tem o respeito de todos nós. Não contribui para o País esse tipo de fala de que o ministro Levy está desgastado, que ministro A briga com ministro B. Ele não está desgastado”, desabafou a presidente. “O ministro Levy não esta isolado. De mim ele não está.”

Antes deste novo gesto, a presidente já havia arbitrado a disputa interna entre Levy e Barbosa e deu a ordem para que ambos anunciassem, lado a lado, a proposta de Orçamento de 2016 com déficit primário de R$ 30,5 bilhões.

Derrotado nas discussões que culminaram com a apresentação de um projeto escancarando a previsão de desequilíbrio fiscal, Levy pretendia sair da reunião da coordenação de governo, no Palácio do Planalto, e viajar para São Paulo, onde faria uma palestra sobre política econômica e retomada do crescimento no Fórum Exame. O anúncio do Orçamento de 2016 seria feito, então, apenas por Barbosa.

Dilma não autorizou a saída à francesa de Levy, que foi obrigado a cancelar o compromisso, sob o argumento de que uma nova ausência do titular da Fazenda poderia alimentar especulações sobre demissão. Em maio, o ministro deixou o colega do Planejamento anunciar sozinho o corte de R$ 69,9 bilhões em gastos públicos. Levy queria tesourada maior e perdeu o embate. À época, alegou uma “forte gripe”.

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