Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma diz que governo vai cobrir déficit do orçamento e não descarta nova CPMF

Presidente disse ainda que não afasta nenhuma fonte de receita neste momento de ajustes nas contas públicas e que o governo apresentará propostas ao Congresso

Isadora Peron e Tânia Monteiro , O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2015 | 13h35

BRASÍLIA - Em sua primeira manifestação pública sobre a decisão de enviar o Orçamento de 2016 com previsão de déficit, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira, 2, que o governo vai cobrir o déficit orçamentário e afirmou que o retorno de uma nova CPMF não está descartada. No começo do discurso a presidente também saiu em defesa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e disse que ele não está dsgastado.

“Alguém falar que déficit é bom, não é bom. Nós não achamos ele bom. Se a gente achasse o déficit bom, nós iríamos abraçá-lo, mas nós queremos resolver o problema do déficit. Nós vamos buscar medidas para resolver o déficit. Vocês podem ter certeza que essa é a forma correta de condução, porque qualquer tentativa de fazer diferente, provocaria muito mais problema”, disse.

Apesar de não especificar que alterações seriam essas, Dilma afirmou que o governo está analisando todas as possibilidades, inclusive a recriação da CPMF.  “Eu não gosto da CPMF. Acho que a CPMF tem suas complicações. Mas não estou afastando a necessidade de criar nenhuma fonte de receita”, disse.

Ela disse também que a equipe econômica está trabalhando para encontrar caminhos para resolver esse problema e que, apesar de contar com a ajuda do Congresso para achar uma solução, não está transferindo a responsabilidade para os parlamentares.

“Nós não fugiremos às nossas responsabilidades de propor a solução ao problema. O que nós queremos, porque vivemos num país democrático, é construir essa alternativa, não transferindo a responsabilidade a ninguém, porque ela sempre será nossa”, disse.

A presidente confirmou que o governo pretende mandar um adendo ao projeto de lei orçamentária enviado esta semana para o Congresso. A expectativa é que o Ministério do Planejamento faça alterações na peça, incluindo novas fontes de receitas para cobrir o rombo de R$ 30,5 bilhões previsto para o ano que vem.

“Quando acharmos que a discussão maturou, que existem as condições para fazer isso, nós queremos mandar mais elementos para o Congresso”, disse.

A presidente afirmou ainda que, ao optar por enviar a peça orçamentária com a previsão de rombo, o governo tentou ser “transparente” e mostrar que realmente há um problema que precisa ser solucionado.

Dilma também disse que o governo está “averiguando” a possibilidade de rombo nas contas públicas ser maior, como foi aventado por alguns parlamentares. Ela, no entanto, diz que a equipe econômica acredita que esse valor seja realmente de R$ 30,5 bilhões. “Do nosso ponto de vista, nós não achamos que estamos errados”, disse.

Na terça-feira, 1, Dilma se reuniu Com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para pedir ajuda para apontar as saídas para o Orçamento. Os dois, porém, deixaram claro que isso não era atribuição do Legislativo e que esperavam uma solução do governo. 


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