André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dilma defende Graça Foster e diz que não pretende mudar diretoria da Petrobrás

Presidente destacou lisura e seriedade da executiva e afirmou que faltam provas contra ela

Rafael Moraes Moura e Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo - atualizado às 15h49

22 de dezembro de 2014 | 11h44

BRASÍLIA  - Confrontada com novas denúncias envolvendo a Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff saiu em defesa nesta segunda-feira, 22, da presidente da estatal, Graça Foster, indicou que não pretende mudar a diretoria da empresa, assegurou que está trabalhando para que a nota de crédito da Petrobrás não seja rebaixada e avisou que pretende mudar o seu conselho de administração, sem entrar em detalhes. Dilma recebeu no Palácio do Planalto jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto para o tradicional café da manhã de fim de ano com a imprensa.


“Tem de ter alguma prova apresentada sobre qualquer conduta da presidente da Petrobrás, Graça Foster. Eu conheço a Graça, sei da seriedade, da lisura da Graça, acho que é importante saber qual é a prova que se apresentou (contra a presidente da Petrobrás). Porque se eu disser que te falei, o que eu quero? Eu tenho de provar que falei”, comentou Dilma.


“É muito difícil ter uma situação confortável quando existe a prática de condenar sem dar espaço pra defesa - é muito difícil -, sem perguntar pelas provas, nem pelos interesses. É muito fácil criar situação de constrangimento pra qualquer um.”


Em entrevista exibida nesse domingo, 21, pelo programa Fantástico, da TV Globo, a ex-gerente da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás Venina Velosa da Fonseca disse que informou “a todas as pessoas que podiam fazer algo” sobre irregularidades verificadas por ela. Venina também afirmou que registrou suspeitas por e-mail, e discutiu pessoalmente o assunto com a atual presidente da estatal, Graça Foster, quando a executiva máxima da companhia era diretora de Gás e Energia. 


“A Graça é uma pessoa ética”, disse Dilma, confirmando que a presidente da Petrobrás colocou o cargo à disposição. “Eu falei pra ela (Graça Foster) que, do meu ponto de vista, isso não era necessário. É óbvio que o cargo de todas as pessoas do governo estão à minha disposição. O fato de isso ocorrer (Graça colocar o cargo à disposição) é uma consideração comigo, é um ato que se podia chamar de educação política por parte da Graça”, observou Dilma.


“Eu não estou pretendendo alterar a diretoria da Petrobrás, não estou pretendendo. Alterarei o conselho de administração da Petrobrás”, disse a presidente.

Absurdo. Dilma ainda  classificou de "absurdo" o volume de dinheiro desviado da Petrobrás já declarados até agora por alguns funcionários da estatal. Dilma afirmou que espera a contabilidade final da corrupção para que a empresa possa declarar os desvios como prejuízo. Essa seria a razão do atual conselho de Administração ter decidido adiar a publicação do balanço deste ano.

"É de todo oportuno que se saiba o teor das delações premiadas. Se não soubermos o volume indevidamente retirados dos cofres da Petrobrás não temos como fazer o balanço. Precisamos saber disso porque vamos ter que dar baixa. Nós vamos ter que lançar como prejuízo", explicou. A presidente afirmou que o pedido já foi feito ao Ministério Público, mas o governo não recebeu resposta. "Eles falaram que vão fazê-lo em algum momento, quando informarem a todo o País. Nós estamos esperando", disse. 

Ao ser indagada sobre como a empresa faria, já que a investigação pode levar anos, Dilma respondeu que o processo "não pode demorar anos sob pena de comprometer o País". "Se investiga e se pune com celeridade porque o princípio da impunidade é demorar anos. Essa é a prática no Brasil. Quando se vai punir todo mundo esqueceu. Nós não queremos mais isso. E eu não estou achando que vai demorar anos. Tenho essa visão otimista", afirmou.

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