Dilma defende divulgação total da investigação da Operação Lava Jato

Um dia depois de condenar os "vazamentos seletivos" das investigações sobre os desvios de dinheiro na Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff (PT) defendeu neste sábado, 11, a divulgação total de provas e depoimentos. "Para se divulgar, divulga-se tudo", disse ela em Contagem, município da região metropolitana de Belo Horizonte, onde desfilou em carro aberto e participou de ato político.

Valmar Hupsel Filho, enviado especial a Contagem (MG) , O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2014 | 14h39

"Quero saber todos os envolvidos e não vazamentos seletivos", completou, argumentando que a divulgação seletiva durante a campanha eleitoral tem intenções eleitoreiras e seriam "grande prejuízo para a democracia brasileira".

Para Dilma, as provas e denuncias no bojo da Operação Lava Jato "não estão sendo encaminhadas direito nessa fase". Ela afirmou que já solicitou acesso a o que foi dito pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Yousseff, nas delações premiadas para poder tomar providências. Segundo ela, o presidente da República tem dever constitucional de apurar e só punir quando tiver provas. "Sou a favor de, doa a quem doer, a pessoa tem que responder o que faz sejam de qual partido sejam".

No estado de adversário político, Dilma provocou Aécio questionando sua capacidade para ocupar cargos que ocupou no início da carreira política. "Eu nunca virei vice-presidente da Caixa Econômica Federal aos 25 anos. Todos os cargos que ocupei foram pelos meus méritos e não por indicação", disse ela, diante de um discreto sorriso do governador eleito Fernando Pimentel (PT).

Aécio foi nomeado vice-presidente da Caixa em maio de 1985 pelo então presidente José Sarney, que herdou a presidência da República de Tancredo Neves, avô do hoje candidato tucano.

Ao citar o episódio, Dilma falava sobre aparelhamento da máquina pública e havia dito que, durante governos tucanos, o diretor-geral da Polícia Federal era um filiado ao PSDB. "Não há maior aparelhamento da máquina do que colocar na direção-geral da Polícia Federal um filiado a partido político", disse.

 

Dilma visitou o município de Contagem, um dos maiores colégios eleitorais de Minas, na região metropolitana de Belo Horizonte. No final da manhã, ela desfilou rapidamente em carro aberto pelo comércio da cidade ao lado de Pimentel e do prefeito Carlin Moura (PcdoB).

Em seguida participou de um ato para a militância em um hotel da cidade. No encontro, ela recebeu manifesto de apoio de dissidentes PSB/Rede - o diretório nacional do partido apoia Aécio - da ala do PMDB que apoiou Tarcísio Delgado, além de militantes do PRTB e PPL.

No primeiro turno, Dilma foi a candidata mais votada em Minas com 43,45% contra 39,75% para Aécio. A petista venceu na maior parte do estado, mas o tucano levou a melhor nas regiões mais populosas.

Tudo o que sabemos sobre:
Eleições2014DilmaLavaJato

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.