André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dilma defende 'desmontar palanques' em busca de diálogo

Em encontro com partido aliado, presidente faz aceno à oposição e diz que atitude de ganhador de uma eleição não pode ser de 'soberba' nem dar 'último grito'

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 15h33



Brasília - Em um aceno à oposição, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira, 5, que defende a desmontagem de palanques na busca por um diálogo no segundo mandato. Para Dilma, "há que saber ganhar" e a atitude do vencedor não pode ser nem de "soberba nem de pretensão de ser o último grito em matéria de visão política".

"Desmontar os palanques significa perceber que na democracia, em toda e qualquer democracia, no processo eleitoral se disputam visões, propostas, as mais diferentes e essas propostas e essas visões são levadas ao escrutínio popular", discursou a presidente, em solenidade com lideranças do PSD no Palácio do Planalto.

O evento serviu para o PSD endossar o apoio ao segundo mandato de Dilma e cacifar o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, a assumir um posto estratégico na Esplanada dos Ministérios. Kassab é cotado para o Ministério das Cidades.

"O povo vai decidir o que ele considera que seja a proposta que ganhará majoritariamente apoio e aquela que não ganhará. Isso significa ter consciência do que a democracia é. A democracia é, primeiro, esse fato: você disputa eleição, se submete, e pode ou não ganhar", comentou Dilma. "Há que saber ganhar, há que saber perder. As duas exigem um atitude, atitude do ganhador não pode ser nem de soberba nem de pretensão de ser o último grito em matéria de visão política."

Quadro caótico. Na fala, Dilma também disse que, apesar de ter sido reeleita, o seu governo vai propor mudanças e reformas e que é possível manter um "diálogo com base em propostas", independentemente do resultado das urnas.

"Qualquer tentativa de retaliação por parte de quem ganhou, ou ressentimento por parte de quem perdeu, é uma incompreensão do processo democrático. E mais, criaria no Brasil um quadro caótico: o presidente eleito por um lado não conversa com o governador eleito por outro. O senador eleito por um lado não conversa com o outro senador eleito por outro. Não pode ser assim", disse Dilma.

"Ninguém deve abrir mão das suas convicções, nem das suas posições. O que nós temos que defender é um diálogo com base em propostas, não tem diálogo genérico, é com base no que nós consideramos o correto e outros consideram um pouco diferente, então, tem de ver se dá para fazer um encontro em uma posição consensual", afirmou.

Oposição. Na volta ao Senado, o candidato derrotado à Presidência pelo PSDB Aécio Neves se mostrou reticente à proposta de diálogo de Dilma. Nesta quarta, o tucano afirmou ainda que será o líder da "mais vigorosa oposição que o Brasil já assistiu". "Esse governo, pela forma como agiu na campanha eleitoral, de uma forma absolutamente desrespeitosa e absolutamente temerária em relação aos beneficiários de programas sociais que estiveram permanentemente ameaçados de perder os benefícios se nós vencêssemos as eleições, não os legitimam para uma proposta de diálogo", disse nessa terça-feira, 4.

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