Dilma decreta luto por morte de Campos e diz que Brasil perde 'político promissor'

Em pronunciamento, presidente relembra trajetória política de candidato e afirma que ex-governador poderia 'galgar os mais altos postos' do País

Laís Alegretti, Rafael Moraes Moura, Tânia Monteiro e Benardo Caram, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2014 | 15h56

Atualizado às 19h25

Em pronunciamento à imprensa no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff lamentou a morte do candidato Eduardo Campos (PSB) e prestou condolências às famílias das outras vítimas do acidente aéreo ocorrido nesta quarta-feira, 13. "Eu quero dizer que hoje o Brasil está de luto e sentido com uma morte que tirou a vida de um jovem político promissor. E esse fato entristeceu todos os brasileiros e brasileiras", disse, visivelmente emocionada. Dilma decretou luto oficial de três dias e cancelou os compromissos de agenda de campanha.

Dilma afirmou que Campos era um jovem que poderia galgar os mais altos postos do País. "Em nome do governo e do povo brasileiro, eu gostaria de dar os mais profundos pêsames à família do Eduardo Campos, à sua mãe, Ana Arraes, à dona Renata, como ele carinhosamente chamava sua esposa, e aos seus filhos, e à toda família, que é uma grande família", afirmou. Dilma disse que Eduardo Campos era neto de Miguel Arraes, que faleceu há nove anos. "Era um grande político, um grande democrata, um lutador que foi uma referência", disse. A presidente lembrou que Campos foi duas vezes governador de Pernambuco e disse que ele seguiu os passos do avô.

Dilma também disse que conviveu com Campos como ministra do presidente Lula e nas campanhas de 2006 e de 2010. "Fui recebida em sua família e convivi com eles de forma muito calorosa. O Brasil perde uma jovem liderança, com futuro extremamente promissor pela frente. Um homem que poderia galgar um dos mais altos postos do País", disse. "Sem sombra de dúvidas é uma perda para além das nossas divergências. Nós mantivemos sempre uma forte relação de respeito mútuo. A última vez que o vi, no funeral de Ariano Suassuna, a quem eu tive o privilégio de conhecer e desfrutar de seu brilhantismo e talento, porque fui apresentada pela dona Renata, eu queria dizer que mantivemos ali mais uma vez a reiterada relação afetuosa que construímos ao longo da vida", afirmou.

A presidente afirmou que espera que o exemplo de Eduardo Campos sirva para mantê-lo vivo na memória e nos corações dos brasileiros e brasileiras. "Sem dúvida é um momento de pesar, de tristeza. Um momento que devemos também acatar com o reconhecimento de que nós, seres humanos, somos afetados pela fragilidade da vida, mas também pela força e pelo exemplo das pessoas".

A presidente também citou o nome dos assessores e dos pilotos que estavam no avião e disse que queria estender suas condolências a eles e às famílias de vítimas que por acaso tenham sofrido consequências do desastre. "Acredito que o Brasil vai agora prantear esse grande brasileiro que morreu no dia de hoje", disse. A entrevista de Dilma no Jornal Nacional, prevista para esta quarta, também foi adiada.

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