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Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Dilma dá ministério a Marta e abre vaga no Senado para atrair apoio a Haddad

Cargo na pasta da Cultura é anunciado dias após ex-prefeita abandonar boicote e entrar na campanha de candidato do PT

Tânia Monteiro e Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2012 | 22h43

BRASÍLIA/SÃO PAULO - Duas semanas após entrar na campanha de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ganhou um cargo no governo. Ela será a nova ministra da Cultura, substituindo Ana de Hollanda, que caiu após enfrentar longo processo de desgaste na Esplanada. Com a engenharia política, a presidente Dilma Rousseff pretende levar importante ala do PR, que hoje apoia o candidato do PSDB, José Serra, para a campanha de Haddad.

A decisão de demitir Ana de Hollanda já estava tomada, mas a ideia inicial de Dilma era fazer a troca depois das eleições, no ano que vem, junto com a planejada reforma da equipe. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a convenceu, porém, de que o melhor momento para a entrada de Marta no ministério era agora. Não sem motivo: quem assume sua cadeira no Senado é o vereador Antonio Carlos Rodrigues, suplente e dirigente do PR.

Apesar de integrar a base aliada de Dilma, o PR decidiu se coligar com Serra em represália à perda do Ministério dos Transportes, no rastro da "faxina" promovida pela presidente no ano passado. O plano de Lula e do comitê petista, agora, é desestabilizar a candidatura de Serra, deslocando uma ala do PR para Haddad. A expectativa dos petistas é que o PR faça "corpo mole" no apoio ao tucano.

Marta e Haddad negaram na terça-feira, 11, qualquer tipo de barganha política. "O convite é meio surpreendente, mas eu sou do governo e estou à disposição", afirmou a nova ministra. "Com a presidenta Dilma não tem toma lá dá cá. Quem a conhece sabe que isso não é do feitio dela. Se (a troca) tivesse algo a ver com minha campanha, teria sido feita muito antes", disse o candidato do PT. A posse de Marta está marcada para quinta-feira, às 11 horas.

Ex-ministra do Turismo no segundo mandato de Lula e ex-prefeita de São Paulo (2001 a 2004), Marta nunca gostou do Legislativo e sempre desejou retornar ao governo. Ela queria ser novamente candidata a prefeita e, por imposição de Lula, foi obrigada a desistir para ceder a vaga a Haddad, no ano passado. Depois de excluída, boicotou a campanha do PT por quase dez meses.

No comando do Ministério da Cultura, Marta entra na fila dos pré-candidatos do PT ao governo de São Paulo, em 2014. Nessa empreitada, seu maior adversário no partido é o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que também mira o Palácio dos Bandeirantes.

Mal estar. O PT quer explorar agora o mal-estar do PR com tucanos, provocado pela propaganda de Serra, que jogou luz sobre o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. O deputado Valdemar Costa Neto, que presidiu o PR, é réu no processo.

Para assumir a vaga de Marta, Antonio Carlos Rodrigues terá de se licenciar da Câmara Municipal. Rodrigues concorre à reeleição como vereador e tem ótimo relacionamento com o PT. "Nunca escondi de ninguém que tenho amigos no PT. Eu me elegi presidente da Câmara Municipal com os votos dos petistas", afirmou Rodrigues, numa referência ao período em que comandou a Casa, de 2007 a 2010.

Mesmo assim, o vereador disse que não vai abandonar Serra. "Seria muito estranho só o PR de São Paulo apoiar o PT", comentou. Apesar dos desmentidos oficiais, porém, o comando da campanha de Haddad conta com o racha na dobradinha PSDB-PR.

Ana de Hollanda é a 13.º ocupante da Esplanada a deixar o governo. Desde a sua posse, ela é criticada por setores da área cultural, que chegaram a redigir um manifesto cobrando sua saída.

A gota d’água para a demissão foi o vazamento de uma carta enviada por Ana ao Ministério do Planejamento, no último dia 27, reclamando dos parcos recursos destinados à pasta. O encontro entre ela e Dilma, ontem, foi "rápido" e "constrangedor", segundo auxiliares da presidente.

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