Dilma dá início à reforma ministerial

É tida como certa a troca dos ministros Mário Negromonte (Cidades), de Iriny Lopes (Secretaria das Mulheres), e de Paulo Roberto Pinto (Trabalho)

João Domingos, Rafael Moraes Moura e Vera Rosa

18 de janeiro de 2012 | 20h02

A presidente Dilma Rousseff deu início nesta quarta-feira, 18, à reforma ministerial, ao confirmar a saída do ministro Fernando Haddad (Educação), que vai disputar a prefeitura de São Paulo. Para o lugar de Haddad vai Aloizio Mercadante, que deixa o Ministério de Ciência e Tecnologia. O cientista Marco Antonio Raupp substituirá o petista. A posse e a cerimônia de transmissão de cargos dos novos ministros serão realizadas na terça-feira, 24.

 

Na segunda-feira, 23, deverá ser feita uma homenagem a Haddad, em comemoração às 1 milhão de vagas abertas pelo programa Universidade para Todos (ProUni) - que concede bolsas nas universidades particulares a alunos carentes. O governo petista tem o ProUni na conta dos programas iniciados em sua administração que mais tiveram êxito. Será uma forte bandeira de campanha para Haddad.

 

Ao passar o ministério para Mercadante na terça-feira, Haddad estará livre para circular por São Paulo na quarta-feira, quando é comemorado o aniversário da cidade. O nome de Haddad para a disputa pela prefeitura de São Paulo foi imposto ao PT pelo ex-presidente Lula. Nem prévias para a escolha o partido fez. Pesquisas eleitorais realizadas até agora mostraram Haddad girando em torno de 3% a 4% nas intenções de votos.

 

A escolha de Marco Antônio Raupp para a Ciência e Tecnologia foi bancada por Mercadante e pela presidente Dilma Rousseff. Uma ala do PT paulista lutava pelo deputado Newton Lima (PT-SP). Argumentava que ele não é só político, porque em sua vida, embora fosse filiado ao PT, sempre se dedicou à ciência. Tanto é que foi reitor da Universidade Federal de São Carlos.

 

Havia ainda, em favor de Newton Carlos, a justificativa de que, se ocupasse a Ciência e Tecnologia, abriria uma vaga para o ex-deputado José Genoino na Câmara. Mas Dilma Rousseff, segundo um auxiliar, não quis o ônus de abrir uma vaga para Genoino no ano em que o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá julgar o escândalo do mensalão, ocorrido em 2005. Genoino é um dos réus e poderia parecer que a presidente está tentando proteger um nome importante do PT. Prevaleceu a vontade da presidente.

 

Em nota distribuída pela Secretaria de Comunicação Social, a presidente Dilma "agradece o empenho e a dedicação do ministro Haddad à frente de ações que estão transformando a educação brasileira e deseja a ele sucesso em seus projetos futuros". "Da mesma forma, (a presidente) ressalta o trabalho de Mercadante e Raupp nas atuais funções, com a convicção de que terão o mesmo desempenho em suas novas missões".

 

Na minirreforma ministerial que Dilma Rousseff deverá concluir neste mês ou no início do próximo, é tida como certa a troca do ministro Mário Negromonte (Cidades), de Iriny Lopes (Secretaria das Mulheres), e de Paulo Roberto Pinto (Trabalho). O nome mais forte para o Ministério das Cidades é o do presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Márcio Fortes, que já ocupou a pasta por cinco anos.

 

Fortes disse ao Estado que não foi sondado para voltar ao ministério. "Eu estou muito bem na APO", afirmou. Questionado se gostaria de retornar a Brasília - já que a sede da APO é no Rio de Janeiro -, ele desconversou. "O Ministério das Cidades não é Brasília. Trabalha no Brasil inteiro", disse.

 

Dilma inicia nesta quinta-feira, 19, a série de reuniões setoriais, com grupos de ministros, com o objetivo de definir os projetos prioritários para este ano e onde serão cortadas despesas, como antecipou o Estado. O primeiro encontro, das 9 às 19 horas, será com os ministros da área social, que cuidam do programa "Brasil sem Miséria", xodó de Dilma.

 

A presidente também decidiu fazer mais dois dias de encontros setoriais, no domingo, 29, e na segunda-feira, 30. Na tarde de segunda ela promove a primeira reunião ministerial do ano, com toda a equipe.

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