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Dilma critica solução isolada para guerra cambial

Antes da declaração da presidente eleita, Lula havia dito que Brasil irá ao G-20 para 'brigar'

estadão.com.br,

03 de novembro de 2010 | 20h22

BRASÍLIA - Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 3, a presidente eleita, Dilma Rousseff, deu pistas de como enfrentará os principais desafios econômicos que se colocam para os próximos anos, como a valorização do real frente ao dólar, as altas taxas de juros praticadas no País e a dívida pública.

 

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Segundo Dilma, o planeta vive hoje uma "guerra cambial" que não pode ser resolvida por meio de desvalorizações competitivas feitas isoladamente pelos países. "Na última vez que isso aconteceu, deu no que deu: houve a Segunda Guerra Mundial", disse Dilma. Ela admitiu, no entanto, que o País adote "medidas de proteção".

 

Na semana que vem, a presidente eleita acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião do G-20, em Seul, na Coreia do Sul. Antes da entrevista de Dilma, o presidente Lula havia dito que há uma guerra cambial no mundo provocada pelos EUA e China, e que o Brasil iria ao G-20 para "brigar".

 

A presidente eleita previu uma trajetória de redução da taxa juros com base no maior crescimento econômico previsto para os próximos anos, e a consequente redução da dívida pública. "Significa que se o PIB cresce mais, como ele é o denominador da equação, a relação dívida PIB cai mais. Vocês tem um círculo virtuoso: quanto mais o PIB crescer e a dívida cair, mais rápido você chega a um quadro de estabilidade que permite reduzir cada vez mais a taxa de juros", disse ela. Segundo Dilma, a taxa de juros real de 2%, que tem sido mencionada como alvo a ser alcançado durante o seu governo, é apenas uma referência colocada, porque esse é o número que situaria o Brasil num patamar consistente de juros internacionalmente.

 

Mas Dilma ressaltou que a taxa de juros é uma variável que depende de fatores como a dívida, o crescimento econômico e a inflação. De acordo com a presidente eleita, o cenário do PAC 2 - que vai de 2011 a 2014 - prevê que a dívida líquida em relação ao PIB chegue ao final do último ano a 38%.

 

CPMF. A presidente eleita disse ainda que não pretende enviar ao Congresso um projeto ressuscitando a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas ponderou que está aberta a discutir o assunto com os governadores. Segundo ela, há um movimento dos governadores em favor da retomada desse imposto, que foi derrubado em 2007 pelo Congresso.

 

"Tenho preocupação com criação de imposto. Preferia outro mecanismo. Mas vejo uma mobilização dos governadores", disse Dilma, ressaltando que a Saúde junto com a Educação estão topo da lista de prioridades de seu futuro governo. Outro tema que ela citou como prioritário é a segurança pública, assunto que, segundo ela, demandará também uma articulação com governadores e prefeitos.

 

Ainda em relação à CPMF, Dilma disse que não há uma "necessidade premente" do governo federal em relação a isto, mas como há a mobilização dos governadores, ela vai abrir diálogo sobre o tema. "Não vou enviar a proposta para retomar a CPMF, mas vou ter diálogo com os governadores", disse, destacando que recebeu ligação "republicana" do governador eleito de São Paulo Geraldo Alckmin, o que a deixou contente.

 

Os questionamentos sobre a CPMF foram feitos em função de o presidente Lula ter se manifestado sobre o tema na entrevista com jornalistas, que antecedeu a fala de Dilma. Ele indicou que gostaria de ver o tributo recriado para equacionar os problemas da área de saúde e criticou a oposição por ter se empenhado para derrubar o imposto.

 

Trem-bala. Na entrevista, a presidente eleita considerou "absurdas" as críticas ao projeto do trem-bala, que ligará São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. Dilma não entrou em detalhes sobre o cronograma de obras, mas disse que vai se empenhar para que o projeto seja acelerado.

 

"Um país continental como o Brasil é compatível com trens-bala", disse. Segundo ela, houve no País uma política obscurantista contra projetos como o do trem-bala e o de metrôs. "É um absurdo achar que o trem-bala não precisa ser feito. Nos anos 80, havia os que eram contra o metrô. Diziam que o Brasil não tinha de ter metrô, porque era um projeto caro. Com isso, não houve atração por investimentos em metrô", disse.

 

Ainda sobre as obras de infraestrutura de seu futuro governo, Dilma defendeu a construção de refinarias premium de petróleo no Ceará e no Maranhão porque, segundo ela, o refino do petróleo eleva os ganhos econômicos com a matéria-prima. Segundo Dilma, o refino é a base da petroquímica, onde o ganho obtido é acima de 1.000%. "Todo o desenvolvimento do mundo é petroquímico dependente", disse a presidente eleita, mencionando setores como maquiagem, tinta e químicos, entre outros.

 

"Quando se refina o petróleo, o preço obtido é maior do que o custo para se fazer o refino", disse Dilma, destacando que o investimento nessa área também vai levar ao desenvolvimento da indústria etanol-química, que é o desenvolvimento de produtos a partir do etanol, cuja produção o Brasil é líder mundial e tem posicionamento estratégico.

 

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