Dilma critica Serra por insinuar conivência com radicais

A petista Dilma Rousseff (PT) afirmou hoje que as insinuações do seu adversário na corrida presidencial, José Serra (PSDB), de que, caso eleita, seria conivente com movimentos radicais, como o Movimento dos Sem-Terra (MST), "não honram a biografia dele".

CAROL PIRES, Agência Estado

29 de agosto de 2010 | 20h14

"Parece que eles não aprendem, eles já fizeram isso em 2002". "Tentaram ao longo do governo do presidente Lula, sistematicamente, criar um clima de oposição muito acirrada, de tumulto". As declarações de Dilma foram feitas hoje à tarde, em Brasília, antes do início de mais uma sessão de gravação de seus programas eleitorais para a televisão.

Logo depois, quando Dilma já estava no estúdio, sua assessoria foi informada sobre novas críticas de Serra, agora de que a petista está sentando na cadeira um mês antes da eleição e que isso "é uma atitude que talvez seja falta de respeito com os eleitores." De acordo com a assessoria de Dilma, ela jamais se sentou na cadeira presidencial e esclarece o tema em todas as entrevistas.

Dilma disse ainda, na entrevista antes do início das gravações, que Serra tenta "se evadir" do debate de propostas para o País quando diz que a eleição dela seria a "terceirização da Presidência". "A gente tem de discutir propostas, eu não vou rebaixar o nível da discussão nem ''amarrada''", rebateu a petista.

Cargos

Diante da pressão de aliados, que insistem em tratar dos cargos do futuro governo tendo em vista a vantagem de Dilma nas pesquisas de intenção de voto, a candidata afirmou que não fala sobre o assunto. Ao falar sobre propostas para popularização do acesso à internet de banda larga, a petista não quis comentar quem ocuparia a presidência da Telebrás porque seria, de acordo com ela, "colocar o carro na frente dos bois".

De acordo com a candidata, "qualquer discussão de nome da minha parte, e da minha campanha, é factoide". "Desautorizo todas as especulações sobre quem quer que seja porque não achamos isso politicamente correto e eticamente correto". Segundo Dilma, nenhum partido político a procurou para falar sobre nomeações. "Até agora, para mim, essa questão só chegou através da imprensa", acrescentou.

A tentativa do ex-ministro José Dirceu de evitar que o também ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci assuma a Casa Civil no possível governo de Dilma, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, é, segundo a candidata, "um factoide".

Viagens

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, informou que Dilma deve fazer a primeira viagem de campanha ao Norte do País nas próximas semanas, provavelmente ao Pará, maior colégio eleitoral da região.

Dilma tem agenda prevista na capital paulista amanhã e quarta-feira. Na quinta-feira, vai a Foz do Iguaçu (PR) e na sexta-feira a Canoas (RS). Dilma deve tirar um ou dois dias de folga nos próximos dias, quando nascer o primeiro neto dela, filho da única filha, Paula.

Sobre novas visitas a São Paulo e Minas Gerais, onde os candidatos aos governos estaduais ligados ao governo federal enfrentam problemas, Dilma disse que continuará dando atenção aos dois maiores colégios eleitorais do País, "mas sem descuidar dos outros Estados".

Em Minas Gerais, o candidato ao governo do Estado pelo PMDB, Hélio Costa, tem perdido vantagem para o adversário tucano, Antônio Anastasia. Em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) está 24 pontos porcentuais à frente do candidato ao governo pelo PT, Aloizio Mercadante, aponta a última pesquisa Ibope/Estado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.