Dilma critica Serra por explorar politicamente episódio no RJ

Petista lembrou que, no dia anterior, ela foi alvo de um balão cheio de água e não culpou campanha tucana pelo fato

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 19h50

BELO HORIZONTE - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, criticou nesta sexta-feira, 22, o presidenciável tucano, José Serra, por explorar o episódio no qual foi atingido na cabeça por um objeto durante uma confusão entre petistas e militantes do PSDB na zona oeste do Rio. Dilma lembrou que no dia anterior, na quinta-feira, foi alvo de um balão cheio de água durante visita a Curitiba e nem por isso acusou a campanha adversária.

 

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"Não tinha nenhuma briga nesse momento, não tinha nesse momento da bola caindo na minha cabeça, que eu recuei o corpo, não tinha briga nenhuma. Foi alguém deliberadamente que fez isso. Eu não saí por aí acusando a campanha dele", disse a petista.

 

A campanha de Serra tem explorado o fato nos programas eleitorais. "Você sabe o peso de uma bola, de um balão cheio de água jogado do 12º andar, que afunda um pouco um teto de um carro? É bastante pesado. Eu fui objeto disso ontem (anteontem), vocês podem olhar, não fui nem eu que disse isso. Os jornalistas presenciaram esse fato. Então eu acho que tem de ter muito cuidado em ficar transformando episódios...", afirmou, ao ser questionada se Serra estava exagerando.

 

A petista garantiu que se depender do PT a campanha não se acirrará ainda mais. "Da nossa parte eu não acredito. E aí eu te digo com a sabedoria mineira. Aqui em Minas a gente fala: quando um não quer dois não brigam."

 

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, minimizou o fato e as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou o episódio envolvendo Serra como uma "farsa". "Acho que é uma discussão absolutamente bizantina se foi uma fita crepe, se foi uma bolinha (de papel). O episódio em si foi lamentável."

 

Dutra disse que e está orientando a militância em todo País para que os petistas não façam e não caiam "em provocação." "Temos consciência de que durante toda essa campanha fomos vítimas da mais baixa campanha eleitoral. Até porque violência não é só violência física. Calúnia e difamação, panfletos apócrifos, telemarketing apócrifo, isso também é uma violência."

 

Mais uma vez, Dilma foi cautelosa ao comentar os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto, nas quais aparece com vantagem média de 10 pontos porcentuais sobre o adversário. Para ela, seria "um erro absoluto" nesse momento calçar o "salto alto" e "achar que já ganhou por conta da pesquisa".

 

Prefeitos

 

Em evento que reuniu cerca de 250 prefeitos no Iate Clube da Pampulha, Dilma alfinetou o adversário, lembrando o compromisso assinado em cartório por Serra durante a campanha para a prefeitura de São Paulo, em 2004, prometendo não deixar o Executivo municipal para se candidatar ao governo do Estado. Numa reunião em que se comprometeu com várias e importantes demandas dos municípios mineiros e do País, a petista disse que não estava fazendo promessas da "boca para fora".

 

Em discurso adequado aos políticos municipais, Dilma afirmou que se eleita irá promover a revisão do marco regulatório da mineração no Brasil, lembrando a reclamação dos municípios minerários com a baixa arrecadação de royalties. "Iremos rever o marco regulatório da mineração no Brasil, compatibilizando esse marco regulatório com valores e padrões internacionais. No mundo inteiro esta é uma riqueza regulada. Aqui no Brasil será também uma riqueza regulada", afirmou.

 

A proposta foi a principal bandeira de campanha para o governo de Minas do deputado federal José Fernando Aparecido (PV), que ontem (22) anunciou apoio entusiasmado à petista. A prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV) também anunciou apoio a Dilma, colando na candidata do PT um adesivo com o número 13 na cor verde. Outros 10 prefeitos de capitais participaram do ato. Dois prefeitos do PSDB foram anunciados. A prefeita de Capinópolis, no Triângulo Mineiro, Dinair Isaac (DEM) discursou pregando a eleição da primeira mulher presidente do Brasil.

 

FPM

 

A petista reiterou também o compromisso de enviar para o Congresso um projeto de lei estabelecendo patamares para a compensação de eventuais quedas nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). "Vamos aprovar no Congresso porque nós temos hoje maioria no Congresso Nacional."

 

A exemplo de Serra - que na semana passada também se reuniu com prefeitos mineiros na capital, em um ato organizado pelo ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB) - Dilma também se comprometeu com projetos específicos, como a duplicação da BR-381 e a ampliação do metrô da capital.

 

A petista e os aliados, a exemplo do que fizeram os tucanos, também estenderam uma bandeira de Minas no palco. Durante o evento, Dilma recebeu diversos manifestos de apoio, entre eles de artistas e intelectuais mineiros e de professores da Universidade Federal do Estado (UFMG).

 

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