André Dusek/Estadão
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Dilma critica 'pautas-bomba' do Congresso em reunião com governadores

Ao cobrar a colaboração de todos os Poderes e dos entes da federação para a estabilidade econômica presidente disse que precisou vetar medidas 'para preservação do dinheiro público'

Elizabeth Lopes, Rafael Moraes Moura e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 17h39

Brasília - No discurso de abertura da reunião com os governadores, a presidente Dilma Rousseff fez uma dura crítica às medidas aprovadas pelo Congresso Nacional que geram gastos públicos. Ao cobrar a colaboração de todos os Poderes e dos entes da federação para a estabilidade econômica e fiscal do País, neste momento de crise, ela disse: "Temos propostas de grave impacto (para a saúde fiscal da União, Estados e municípios) votadas pelo Congresso", e explicou que teve de vetar algumas "para a preservação necessária do dinheiro público". 

Ao falar dessas medidas votadas pelo Congresso, lembrou que outras estão em discussão. "Todas as medidas terão impactos sobre os Estados, sem sombra de dúvida", alertou, dizendo que os governadores receberão, no encontro de hoje, uma pasta com o detalhamento de todas as consequências que a aprovação de tais medidas poderá trazer para as contas regionais. "A União tem de liderar este processo e assumir todas as suas necessidades e condições, ao mesmo tempo, consideramos que, como algumas medidas afetam também os Estados, os governadores têm de ter clareza do que está em discussão."

No pronunciamento, Dilma falou das ações que sua equipe econômica vem adotando para que o País retome a rota de crescimento, dizendo que competitividade não é só câmbio e, por essa razão, seu governo vem trabalhando em outras frentes, como o fechamento de acordos comerciais. "Adotamos medidas de incentivo aos investimentos", frisou, a respeito do programa de concessão de infraestrutura. E disse que pretende fechar com os governadores uma carteira de projetos de investimento em logística. "Queremos que essa carteira de projetos seja estruturada para que as concessões tenham início agora, já que os investimentos levam tempo para maturar." 

A presidente respondeu, no discurso, a uma das principais cobranças de seus opositores, sobre os próximos passos de seu governo após o ajuste fiscal. Ela disse que a redução da inflação em 2016, com a recuperação do crescimento, puxado pelas exportações e por projetos de infraestrutura, propiciará um novo ciclo de expansão do consumo. "Esperamos que a retomada do crédito contribua para ampliar o consumo das famílias de forma sustentável, a partir de 2016. Essas são as bases novo ciclo de desenvolvimento e de expansão sustentável do crédito."

Ela disse que a saída neste momento de aperto monetário, quando não é possível ampliar os gastos públicos, é fazer mais com o que se tem. "Sermos mais eficientes e produtivos", afirmou. "O que quero dizer é que neste momento, sabemos disso, não temos como ampliar os gastos. A saída é usar os recursos existentes."

A presidente propôs cooperação com os Estados na área da segurança pública, num pacto pela redução dos homicídios e para a redução da população carcerária, num programa de reintegração de presos à sociedade. Além disso, propôs também acordos na área do Pronatec Aprendiz, para reduzir a exposição dos jovens à violência e na área saúde, na segurança do trânsito e defesa da vida.

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