Dilma critica estímulo a 'divergências religiosas'

Em meio à polêmica sobre o tema do aborto, a candidata à presidência da República pelo PT, Dilma Roussef, afirmou que há uma tentativa deliberada de criar confusão e construir a discussão eleitoral em torno de divergências religiosas. "Há um processo nesta eleição que contraria tudo o que o Brasil construiu ao longo dos seus mais de 500 anos de vida. Somos um País que nunca teve conflito religioso, e criar uma contradição religiosa aonde não existe é criar um clima de divisão do País", afirmou Dilma.

WELLINGTON BAHNEMANN, Agência Estado

09 de outubro de 2010 | 15h27

Na visão da candidata, essa tentativa de nortear o debate eleitoral por divergências religiosas não honra a tradição da democracia brasileira e, segundo ela, daqui para frente com um menor número de candidatos será possível saber a origem desse discurso. "Antes tínhamos dez candidatos e não sabíamos de onde vinha, daqui para frente só haverá dois. Se continuar essa rede de boatos e intrigas só pode vir do nosso adversário", afirmou Dilma, referindo-se ao candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.

Dilma ressaltou, ainda, que tem certeza que o Estado é laico e que é obrigado a respeitar todas as diversidades culturais e religiosas do País. "Tão importante quanto a liberdade de opinião e de imprensa, é a liberdade de crença e religião", destacou a candidata do PT. Hoje, na parte da manhã, Dilma visitou a instituição filantrópica Amparo Maternal, na Vila Mariana, na capital paulista.

O objetivo da visita, segundo a candidata, foi conhecer o trabalho da maternidade para replicá-lo em sua proposta de criação da chamada Rede Cegonha, que terá por objetivo oferecer assistência médica a mulheres grávidas que estão desamparadas. Dilma negou que a visita seja uma resposta a polêmica sobre a questão do aborto e falou de seu projeto: "Minha proposta é assegurar que as mulheres tenham apoio para ter os seus filhos. Que não precisem esconder a gravidez, que os pais não as expulsem de casa e que elas não tenham a coisa horrorosa que é o medo e não eliminem uma vida", disse Dilma, ressaltando que essa é a melhor maneira para se evitar a prática do aborto ilegal no Brasil. "Vocês podem ter certeza de que todas as minhas afirmações sobre o aborto são a favor da vida".

Dilma assegurou que não vai liberar o aborto em hospitais públicos e que em hipótese nenhuma irá propor alterações na legislação vigente. "A questão fundamental do Brasil é o que nós faremos com as crianças e os jovens, porque são o futuro do País".

Sobre o eventual apoio da ex-candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, Dilma afirmou que pretende discutir todas as propostas da ex-ministra do Meio Ambiente do governo Luiz Inácio Lula da Silva. "Pelo que vi, as propostas da Marina têm mais a ver conosco do que com o nosso adversário. Vamos realizar uma discussão sobre isso de maneira respeitosa e sem pressão", disse, sem informar se já houve algum contato entre os dois partidos.

Tudo o que sabemos sobre:
Eleições 2010Dilma Rousseffaborto

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.