Dilma critica apostas contra emprego e crescimento

Quem apostou no aumento do desemprego, inflação alta e crescimento negativo falhou, mais uma vez. O recado foi dado hoje pela presidente Dilma Rousseff no programa semanal de rádio "Café com a presidente", difundido para todo o País. O programa de hoje resgatou mensagem à nação transmitida na última sexta-feira, 6, em rede nacional de rádio e TV. Dilma destacou, nessa mensagem que foi repetida hoje, que o tripé de sustentação do País continua sendo a garantia do emprego, a inflação contida e a retomada gradual do crescimento.

EQUIPE AE, Agência Estado

09 de setembro de 2013 | 12h50

A presidente reafirmou no programa desta segunda-feira que inflação está em queda. "Os índices de julho e agosto foram baixos e a cesta básica ficou mais barata em todas as 18 capitais pesquisadas. Vamos fechar 2013 com uma inflação, mais uma vez, dentro da meta, o décimo ano consecutivo em que isso ocorre", afirmou. Dilma lembrou, ainda, que o mercado de trabalho tem apresentado resultados positivos. "Já geramos 900 mil vagas este ano e mais de 4,5 milhões desde o início do meu governo".

Sobre a situação cambial, a presidente argumentou que o governo está tomando medidas para conter as oscilações bruscas do dólar e lembrou que esse movimento tem afetado a economia de todos os países emergentes, sem exceção. "Essas oscilações são decorrentes de alterações da política monetária americana e afetam a todos. A situação ainda exige cuidados, porém há sinais de que o pior já passou. Não vamos descuidar um só instante", disse. Segundo ela, há determinação para manter o equilíbrio fiscal, o estímulo ao investimento, a ampliação do mercado interno e a garantia das reservas internacionais para estabilizar as flutuações do mercado cambial.

A mensagem do Dia da Pátria oscilou entre recados políticos e sobre a situação da economia. Sobre o quadro atual do País, a presidente alertou que "mais soluções estão a caminho". Ela garantiu que ainda este mês serão realizados novos leilões de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. "Esses leilões vão injetar bilhões e bilhões na economia, gerando centenas de milhares de empregos", assegurou.

Petróleo

Também em outubro haverá o leilão do Campo de Libra, campo de petróleo do pré-sal, ressaltou a presidente. "Ao longo dos últimos cem anos de exploração do petróleo no Brasil, acumulamos de reservas 15 bilhões de barris equivalentes de petróleo. Só o Campo de Libra tem um potencial de reserva entre 8 a 12 bilhões de barris equivalentes de petróleo", destacou. A presidente alertou, entretanto, que para a exploração desse campo será exigida grande mobilização de recursos, como a construção de 15 a 17 plataformas. "Assim, vamos estimular toda a cadeia produtiva e gerar milhares e milhares de empregos", afirmou.

A presidente comemorou que os royalties do petróleo das áreas já em exploração e daquelas descobertas em Libra e em outros campos vão gerar recursos gigantescos para a educação. "Mais creches, alfabetização na idade certa, escolas em tempo integral, ensino médio profissionalizante, mais vagas em universidades, mais pesquisa e inovação, professores mais preparados e bem remunerados, tudo isso requer mais investimentos e recursos", disse. Ela alertou que o Brasil deve "transformar a riqueza finita do petróleo em uma conquista perene da sociedade".

Desafios

"Hoje, nosso Grito do Ipiranga é o grito para acelerar o ciclo de mudanças que, nos últimos anos, tem feito o Brasil avançar", propôs Dilma, no pronunciamento. Ela afirmou, ainda que "o povo quer, o Brasil pode e o governo está preparado para avançar nesta marcha". Mas a presidente admitiu que 2013 tem sido um ano de intensos desafios políticos e econômicos não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Dilma argumentou que apesar da delicada conjuntura internacional, a economia brasileira continua firme e superando desafios. "Acabamos de dar uma prova contundente. No segundo trimestre, fomos uma das economias que mais cresceu no mundo. Superamos os maiores países ricos, entre eles os Estados Unidos e a Alemanha, ultrapassamos a maioria dos emergentes e deixamos para trás países que vinham se destacando, como o México e a Coreia do Sul", disse. Ela afirmou que o Brasil cresceu em todos os setores. "Indústria e os investimentos mostraram franca recuperação". "Falharam mais uma vez os que apostavam em aumento do desemprego, inflação alta e crescimento negativo", declarou.

Pactos

A presidente lembrou dos cinco pactos propostos por ela, após as manifestações populares de junho, para acelerar a melhoria dos serviços públicos e promover o crescimento. "Estamos aprofundando os cinco pactos para acelerar melhorias na saúde, na educação e no transporte, e para aperfeiçoar a nossa política e a nossa economia", disse.

"O governo deve ter humildade e autocrítica para admitir que existe um Brasil com problemas urgentes a vencer, e a população tem todo o direito de se indignar com o que existe de errado e cobrar mudanças. Mas há, igualmente, um Brasil de grandes resultados, que não podemos deixar de enxergar e reconhecer. Não podemos aceitar que uma capa de pessimismo cubra tudo e ofusque o mais importante: o Brasil avançou como nunca nos últimos anos", afirmou, embora admitindo que o Brasil ainda é um País com serviços públicos de baixa qualidade.

Dilma lembrou que, dentro Pacto da Educação, já foram garantidas parcelas de 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do pré-sal para a educação. Sobre o Pacto do Transporte Público, ela disse que essa frente gerará, no curto e médio prazo, obras e projetos capazes de melhorar a mobilidade e o transporte coletivo nas maiores cidades. "Isso significa mais metrôs, monotrilhos, corredores de ônibus e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos)".

Sobre o Pacto pela Estabilidade Fiscal, ela lembrou que essa frente está mobilizando esforços para manter equilibradas as contas públicas e a inflação sob controle. "Isso é fundamental para que o Brasil cresça e continue gerando empregos", advertiu. Sobre o Pacto da Reforma Política e Combate à Corrupção, Dilma afirmou acreditar que foi dado um bom passo com a proposta de decreto legislativo para a realização do plebiscito.

Saúde

Em relação ao Pacto da Saúde, a presidente garantiu que produzirá resultados rápidos e efetivos. "O Mais Médicos está se tornando realidade", disse. Lembrou de quem mora na periferia das grandes cidades, nos pequenos municípios e nas zonas mais remotas do País. "A falta de médicos é a queixa mais forte da população pobre. Muita morte pode ser evitada, muita dor diminuída, e muita fila reduzida nos hospitais, apenas com a presença atenta e dedicada de um médico em um posto de saúde", advertiu.

Segundo a presidente, os médicos estrangeiros estão ocupando apenas as vagas que não interessam e não são preenchidas por brasileiros. "Não é uma decisão contra os médicos nacionais. É uma decisão a favor da saúde", avaliou. "O Brasil deve muito a seus médicos, o Brasil deve muito à sua Medicina, mas o País ainda tem uma grande dívida com a saúde pública e essa dívida tem que ser resgatada o mais rápido possível", disse Dilma.

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