Dilma critica ações 'não democráticas'

Reconhecendo a preocupação do seu governo com as movimentações pró-impeachment, a presidente Dilma Rousseff declarou ontem, em entrevista no Palácio do Planalto, que fará tudo para impedir que "processos não democráticos cresçam e se fortaleçam". Evitando mencionar a palavra impeachment, ela respondeu a uma questão sobre as articulações em curso no Congresso Nacional para fazer avançar o seu processo de afastamento do cargo.

Tania Monteiro, Gabriela Lara / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2015 | 02h02

"O Brasil a duras penas conquistou uma democracia. Eu sei do que estou dizendo, eu sei quantas penas duras foram (necessárias) para conquistar a democracia. Nós não vamos em momento algum concordar (com movimentos pró-impeachment), ou faremos tudo para impedir que processos não democráticos cresçam e se fortaleçam", disse Dilma.

Segundo a presidente, "o governo está atento a todas as tentativas de produzir uma espécie de instabilidade profunda no País". Ela também voltou a usar a expressão "quanto pior melhor" para criticar adversários.

"O pessoal do quanto pior melhor. Esse pessoal, só eles ganham, a população e o resto dos setores produtivos, de trabalhadores, cientistas, perdem", afirmou Dilma, após cerimônia de entrega do prêmio Jovem Cientista. Pouco antes, no discurso, a presidente já havia dito que o Brasil é muito maior do que os "pessimistas de plantão" querem fazer crer. E acrescentou: "Nós temos capacidade de superar os desafios".

Movimentação. Dilma tem feito várias reuniões com parlamentares e governadores não só para pedir apoio para a aprovação das novas medidas que ajudarão o ajuste fiscal, mas também para barrar a movimentação dos que apoiam o seu afastamento.

O governo sabe que a situação mais dramática é na Câmara, onde tem menos de 200 votos para barrar a iniciativa.

Na reunião com os governadores dos partidos aliados, anteontem à noite, a presidente também apelou a eles para que trabalhem pela derrubada desta mobilização para tirá-la do cargo. Falou também das medidas que está adotando na tentativa de mostrar que o governo está trabalhando para tirar o País da crise. Vários governadores se ofereceram, inclusive, para fazer uma frente ampla contra a abertura do processo de impeachment. Mas, em todas as conversas no governo, nos últimos dias, este assunto está presente, daí a mobilização dos interlocutores da presidente para evitar que esse processo se amplie.

Os ministros também foram recomendados a trabalhar em defesa do governo, recebendo parlamentares em seus gabinetes para convencê-los a derrubar todas as iniciativas pró-impeachment.

Como revelou o Estado ontem, o Planalto elabora um mapeamento para ver quantos votos a base aliada dispõe para barrar a tramitação do processo de impeachment.

A maior preocupação do governo é com a relação com o PMDB, que atingiu níveis muito ruins depois dos seguidos estresses com o vice-presidente Michel Temer. O peemedebista, inclusive, afirmou que Dilma, com 7% de popularidade, não chegaria ao final do mandato, apesar de logo depois ter voltado atrás e dito exatamente o contrário, que a presidente terminaria o mandato em 2018. "

Sei quantas penas duras foram para conquistar a democracia

. Nós não vamos em momento algum concordar (com movimentos pró-impeachment), ou faremos tudo para impedir que processos não democráticos cresçam e se fortaleçam"

Dilma Rousseff

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