Dilma convoca ministros para acelerar obras e acertar discurso contra críticas

Calendário. Com a proximidade do ano eleitoral, presidente cobra prazos e planeja viagens estratégicas a fim de rebater adversários

Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo,

02 de novembro de 2013 | 01h03

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff convocou para a manhã de hoje uma reunião ministerial no Palácio da Alvorada com 14 dos seus 39 ministros a fim de elaborar uma estratégia de ação para os próximos meses. Ela quer acelerar obras e cumprir uma agenda com o objetivo de rebater críticas de opositores e prováveis adversários na sucessão presidencial do ano que vem.

Para o encontro foram chamados ministros das áreas sociais e de infraestrutura, que deverão apresentar o quadro atual de investimentos, de projetos e de obras em andamento.

Uma das principais preocupações da presidente é com o projeto de Transposição do Rio São Francisco, que pretende levar água ao semiárido nordestino, iniciado ainda no governo de seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma quer ter o que mostrar em termos de avanço ainda neste mês, quando pretende fazer uma visita às obras, passando por pelo menos dois Estados: Ceará e Pernambuco.

A estratégia da presidente, nessa visita, é reforçar sua imagem no Nordeste, onde o governador pernambucano, Eduardo Campos (PSB), tem forte entrada, principalmente pela aprovação em seu Estado. A recente aliança de Campos com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva é alvo de preocupação dos aliados e da própria Dilma.

A visita às obras do São Francisco também será uma resposta ao PSDB e ao senador Aécio Neves (MG), provável candidato ao Planalto. O tucano usou o último programa do partido na TV para mostrar trechos onde as obras estão paralisadas.

A presidente planeja visitar alguns locais para mostrar parte dos 6,5 mil trabalhadores em seus canteiros e mais de 1,8 mil equipamentos em atividade.

As datas e as cidades a serem visitadas estão sendo definidas, mas Dilma avisou a assessores que quer passar uma noite na região para mostrar sua interação com o Nordeste.

Dilma também deve cobrar de seus ministros o cumprimento dos cronogramas, de modo que não sofram atrasos e os projetos possam ser lançados neste ano e no ano que vem. A presidente não quer, por exemplo, que haja problemas na concessão dos aeroportos de Confins (MG) e Galeão (RJ) - estratégicos para a Copa de 2014.

O governo quer passar a ideia de que Dilma tem "muito a mostrar", seja em obras de mobilidade urbana, seja na área de plataformas de petróleo.

Multa eleitoral. O ex-presidente Lula participou nesta sexta-feira em Foz do Iguaçu (PR) de um seminário e foi questionado sobre sua campanha paralela pela reeleição de Dilma. "Eu não posso falar sobre esse assunto (a eleição). Já fui multado quatro vezes por acharem que eu estava fazendo campanha. E, se eu for multado mais uma vez, não vou ter dinheiro para apoiar as campanhas da Dilma e da Gleisi (Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil e provável candidata do PT ao governo paranaense)", disse Lula em evento sobre desenvolvimento econômico.

O ex-presidente aproveitou para fazer um balanço dos dez anos de governo petista no País e destacar os resultados de programas como o Bolsa Família e o Luz para Todos, iniciativas que, segundo ele, mostram que é possível garantir desenvolvimento mesmo tendo como foco a população mais pobre. "Quando se acredita, pobre não é problema para nenhum país ou governante", disse.

Quanto ao Bolsa Família, que completou dez anos, Lula lembrou que algumas críticas apontavam o programa como "consagração da miséria" e que serviria para "criar vagabundos". "Pediam crescimento e, só depois disso concretizado, distribuição da riqueza. E, embora falte muito por fazer, o milagre do Brasil foi que conseguimos crescer e distribuir ao mesmo tempo." / COLABOROU JOANA LOPES, ESPECIAL PARA O ESTADO

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