Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma convida Eliseu Padilha para articulação política

A intenção é atrair as alas do PMDB no Congresso e conter a revolta do partido, mas o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), dá sinais de que impasse com a legenda continua

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

06 Abril 2015 | 20h47

Atualizado às 21h56

Brasília - A presidente DilmaRousseff convidou ontem o titular da Aviação Civil, Eliseu Padilha(PMDB), para assumir a articulação política do governo, em maisuma tentativa de fechar acordo com o partido aliado para aprovar oajuste fiscal. A intenção de Dilma é mexer no ministério paraconciliar os interesses do PMDB tanto na Câmara como no Senado, ondeo Palácio do Planalto enfrenta mais dificuldades para aprovar noCongresso as medidas do ajuste fiscal.

O convite para quePadilha entre no lugar de Pepe Vargas (PT) na Secretaria de RelaçõesInstitucionais foi feito perto da hora do almoço desta segunda-feira, 06, após a posse doministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. À noite, porém, opresidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), demonstrou que oimpasse com o partido ainda continuava.

“Se a presidenteescolheu (Padilha) por opção dela, parabéns. Da nossa parte, nãohá indicação desta natureza nem achamos que esta é a razão paramelhorar ou piorar a relação com o governo”, disse Cunha, aosinalizar que o seu indicado para o primeiro escalão é oex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

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Dilma estava ao lado dovice-presidente, Michel Temer, quando fez a sondagem a Padilha, sob oargumento de que precisava da “experiência” dele no Planalto.Ex-ministro dos Transportes de Fernando Henrique Cardoso, o titularda Aviação Civil disse que estava “à disposição”, mas nadafoi fechado ali.

“Estamos fazendoconsiderações políticas e são necessárias muita consultas paradefinir as mudanças ministeriais. Houve cogitação, mas nãoconvite. Não tem nada concreto”, amenizou Temer, que se reuniu ànoite com Padilha, Alves e com o ex-ministro Moreira Franco, noPlanalto. De lá seguiram para o Palácio do Jaburu, onde esperavam opresidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O novo formato do“núcleo duro” foi planejado por Dilma para acalmar uma ala doPMDB e não mexer no ministro do Turismo, Vinícius Lages, afilhadopolítico de Renan. Tudo porque, desde que ela aceitou indicarHenrique Eduardo Alves para o Turismo, Renan ampliou as retaliaçõesao governo no Congresso.

A nomeação de Alvespara a cadeira de Lages já estava acertada. Agradou a Cunha, mascontrariou Renan, que não quer o afilhado fora da pasta. Agora, sePadilha aceitar tocar a Secretaria de Relações Institucionais,Dilma calcula que terá um problema a menos, pois pode indicar Alvespara Aviação Civil e não mexer em Lages – o que, em tese,deixaria Renan sem motivos para se queixar da mudança no ministério.Outra hipótese seria pôr Lages no lugar de Padilha na AviaçãoCivil e Alves no Turismo. Tudo, porém, ainda depende de acordo comRenan.

Lula. A mudança naarticulação política do Planalto foi sugerida pelo ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos dias, preocupado com asnovas manifestações contra o governo, previstas para domingo, Lulaintensificou a cobrança e disse que, se Dilma não mexer agora nosinterlocutores com o Congresso, trilhará um caminho sem volta.

Na avaliação de Lula,o Senado e a Câmara se transformaram em uma trincheira contra ogoverno após a Operação Lava Jato. Renan e Cunha constam da listade políticos suspeitos de participação no esquema de desvio derecursos da Petrobrás.

Padilha ainda resiste aassumir a cadeira de Pepe Vargas por avaliar que, no atual modelo dearticulação, quem manda mesmo é o ministro-chefe da Casa Civil,Aloizio Mercadante (PT). Dilma, no entanto, garantiu a ele que o PMDBterá autonomia para as negociações com o Congresso. Hoje, o PMDBcomanda sete ministérios.

A força-tarefa paraaprovar o ajuste fiscal e as medidas que restringem o acesso abenefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego, foram temas dareunião de ontem da coordenação de governo, que contou com apresença do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Dilma vai reunir hojeos líderes aliados na Câmara e no Senado, além dos presidentes departidos da base, para pedir ajuda na aprovação do pacote.  

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