Dilma contra-ataca e cobra de Serra provas para acusações

Em entrevista ao SBT Brasil, petista acusou tucano de cometer 'leviandades e calúnias'

Anne Warth/SÃO PAULO, Agência Estado

01 de setembro de 2010 | 20h18

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, repudiou as acusações de seu principal adversário, José Serra (PSDB), que responsabilizou a equipe de campanha da ex-ministra pela quebra do sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra. Em entrevista ao SBT Brasil, Dilma acusou Serra de cometer "leviandades e calúnias" e desafiou o candidato a apresentar provas de que o fato está relacionado à sua campanha. "Eu não entendo as razões, aliás, algumas eu entendo, que levam o candidato da oposição a levar contra minha campanha uma acusação tão leviana, que não tem provas nem fundamentos", afirmou. "Ele (Serra) tem que provar e respeitar o fato de que nós estamos veementemente negando."

 

Dilma ressaltou que "nem pré-candidata era" quando a violação do sigilo fiscal de Verônica ocorreu, em setembro de 2009. "Julgo que é muito importante que nesta eleição a gente tenha cuidado com leviandades e calúnias. Nós entramos com várias ações processando o candidato, meu adversário, inclusive hoje entramos com mais duas ações."

 

A ex-ministra partiu para o contra-ataque a Serra e ao PSDB e citou casos relacionando tucanos ao vazamento de informações sigilosas. Um deles foi o vazamento das dívidas de deputados com o Banco do Brasil no momento em que se votava a emenda da reeleição, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Outro foi a divulgação de informações sigilosas da diretoria da Petrobras apresentadas à CPI que investigou a empresa. Elas teriam sido vazadas pelo senador Álvaro Dias (PSDB), em junho de 2009.

 

"Não é possível fazer ilação dessa espécie", disse. "Nós, a partir daí, jamais fizemos uma coisa que achamos inadequada e pouco ética. Nós não chegamos à seguinte ilação: 'O partido do candidato, meu adversário, e o meu adversário, são vazadores contumazes ou pessoas que não tem ética suficiente para lidar com a coisa pública'. Nós não fazemos isso."

 

Dilma cobrou celeridade nas investigações da Receita Federal e da Polícia Federal para esclarecer o caso e punir os responsáveis. Ela citou o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, que levantou a possibilidade de haver uma "mercantilização" de dados fiscais em algumas delegacias do órgão, que funcionariam como "balcão de compra e venda de dados. "Acho que tem que ser apurado de forma drástica, antes da eleições. Eu sou a maior interessada, porque estou sendo acusada sistematicamente de forma leviana."

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