Pedro H Tesch/Brazil Photo Press
Pedro H Tesch/Brazil Photo Press

Dilma condiciona reforma ministerial à aprovação de ajuste

Durante evento no Rio Grande do Sul, presidente diz que medidas econômicas são prioridade e, depois, outras ações serão tomadas

Ricardo Chapola e Gabriela Lara, enviados especiais, O Estado de S. Paulo

20 de março de 2015 | 15h44

Atualizado às 21h19

Eldorado do Sul - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira, 20, que a prioridade é aprovar o ajuste fiscal no Congresso e o enxugamento de gastos no governo antes de se discutir reforma ministerial. As mudanças no primeiro escalão voltaram à tona após a demissão de Cid Gomes do Ministério da Educação na quarta-feira, feita sob ameaças de o PMDB abandonar a base governista se ele não deixasse o cargo. 

Questionada por jornalistas sobre novas trocas de ministros, Dilma respondeu: “Eu não vou falar sobre essa questão (a reforma ministerial). Vou primeiro tratar da questão do orçamento”. E completou: “É necessário que se aprove o ajuste fiscal e que se use o orçamento para fazer um contingenciamento. A partir daí todas as demais medidas vão ser tomadas”.

De acordo com a presidente, a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 só será alcançada com as medidas de ajuste fiscal encaminhadas ao Congresso e com o contingenciamento planejado pelo Executivo. Dilma não deu detalhes sobre o plano e apenas afirmou que será feito “o mais rápido possível”.

A aprovação do ajuste fiscal foi defendida com ênfase por Dilma em evento com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), em Eldorado do Sul (RS), região metropolitana de Porto Alegre. A presidente participou da inauguração de uma unidade de secagem e armazenagem de grãos construída em um assentamento do MST. 

“Nosso desequilíbrio é momentâneo. Aprovando o ajuste, nós saímos juntos disso no curto prazo”, disse Dilma a cerca de 3 mil pessoas. “Ajustar é da vida. Todo mundo faz isso. Não estamos ajustando porque gostamos. Mas porque o País precisa continuar crescendo.”

Dilma afirmou que o governo manteve subsídios e desonerações e reduziu juros durante a crise econômica mundial, mas alegou que agora não é mais “possível assumir tudo”.

“Nos últimos seis anos, o governo tomou todas as medidas possíveis para que a crise não atingisse o País. Aumentamos os subsídios, reduzimos juros, (fizemos) desonerações. Agora nós não temos como continuar absorvendo tudo”, afirmou.

Humildade. Antes de Dilma discursar, um dos líderes do MST, João Pedro Stédile, afirmou que o movimento não é contra o equilíbrio fiscal, desde que as camadas sociais mais baixas não sejam as mais afetadas.

“Nós queremos o equilíbrio fiscal, mas achamos que quem tem que pagar a conta não são os trabalhadores. São os ricos e os milionários”, afirmou. Stédile voltou a criticar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dessa vez por “falta de humildade”. “Se o orçamento tem problemas, por que o seu Levy não vem discutir conosco? Os ministros da senhora, presidente, têm que ser mais humildes.”

Tudo o que sabemos sobre:
Dilma RousseffMSTreforma ministerial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.