Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma concede entrevista à EBC, mas veiculação não é certa

Reconduzido à chefia da emissora estatal, Ricardo Melo vai decidir se a conversa com a presidente afastada, feita por Luiz Nassif, irá ao ar

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2016 | 21h28

BRASÍLIA - A presidente afastada, Dilma Rousseff, concedeu, no final da tarde deste domingo, 5, no Palácio do Alvorada, uma entrevista de cerca de uma hora para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A entrevista foi feita pelo jornalista Luiz Nassiff, que teve o seu contrato com a EBC suspenso por Laerte Rímoli - nomeado pelo presidente em exercício Michel Temer para comandar a emissora, que mas acabou afastado por uma liminar concedida pelo ministro do STF Dias Toffoli na última quinta-feira, 2. 

Nesta segunda-feira, 6, Ricardo Melo, que foi reconduzido à chefia da EBC, pretende desfazer vários dos atos determinados por Laerte Rímoli e deverá decidir o dia e a hora que a entrevista irá ao ar e se irá. Um dos problemas para a veiculação da fala da presidente afastada é que o contrato de Nassif foi suspenso pela administração Temer por 120, para avaliação. Ele ganhava R$ 761,58 mil por ano para apresentar um programa semanal de uma hora na TV Brasil, toda segunda-feira, às 23h. A avaliação da gestão Rimoli é que este e outros contratos de produção de programas também foram suspensos porque seus valores eram considerados muito altos e que contribuíram para aumentar o rombo da empresa, que está em R$ 94,8 milhões. Para gravar o programa com Dilma, Nassif veio a Brasília com passagens pagas pela EBC como "colaborador eventual".

A guerra está instalada na empresa desde a quinta-feira da semana passada, quando Toffoli devolveu a presidência da EBC para os petistas. Para o Palácio do Planalto, a decisão de Ricardo Melo de autorizar a realização da entrevista por Nassif com Dilma, mesmo ele estando com o contrato suspenso, deixará claro para os ministros do Supremo, quando eles forem analisar a liminar, que o propósito da "administração petista de usar a TV pública como palanque da presidente afastada e dos petistas, e não para assegurar a pluralidade de ideias, que é o que estatuto da empresa estabelece".

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