André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dilma compara situação do País ao começo do nazismo

Diante de um grupo de artistas que apoia seu governo, presidente mais uma vez aproveitou para se defender do impeachment.

O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 13h10

Brasília - Diante de um grupo de artistas que apoia seu governo, Dilma Rousseff mais uma vez aproveitou para se defender do impeachment. "Hoje estão tentando dar um colorido democrático a algo que não tem base legal para ser feito. Além disso, se perguntarem se é crime de responsabilidade qualquer processo nas contas, qualquer jurista dirá que não é crime de responsabilidade", afirmou a presidente no Palácio do Planalto. 

"Sem sombra de dúvida, o afastamento da presidente da República sem base legal é golpe. É golpe. O nome golpe doí demais em alguns. Querem que eu renuncie. Por que? Primeiro porque é constrangedor. Segundo pelo fato de que acham que as mulheres são frágeis. Nós, de fato, somos sensíveis, mas não somos frágeis. Há uma diferença entre uma coisa e outra", afirmou Dilma logo após o encontro com artistas que apoiam sua permanência no governo.

De acordo com a presidente, o País tem todas as condições para voltar a crescer rapidamente. "Reduzimos inflação, aumentamos o  superávit externo. Precisamos do fim do ódio do para que esse País não sofra consequências de uma ruptura entre seus integrantes". Dilma citou o caso da médica que se recusou a atender uma criança porque os pais eram militantes do PT.

"Isso é triste. Esse País nunca teve esse lado fascista. Estigmatizar pessoas pelo que pensam? Isso parece muito com o nazismo. Primeiro bota estrela no peito e diz que é judeu. Depois bota no campo de concentração. Essa intolerância é impossível. Ela não pode ocorrer. E por isso nós temos de resolver esse processo do meu impedimento. O Brasil não pode ser cindido em duas partes. Um golpe tem esse poder. Não é correto que as pessoas sejam estigmatizadas pelo que pensam.,  Não se criará o convívio democrático com essa situação. Temos de lutar para superar em momento. Não se pode unir o País destilando o ódio", concluiu Dilma. 

Artistas. A cineasta Anna Muylaert, diretora de filmes como "Que horas ela volta" e "Durval Discos", entregou à presidente Dilma durante o encontro um manifesto do setor de cinema e audiovisual contrário ao processo de impeachment como ela. Em um discurso rápido e emocionado, Anna lembrou que voltava ao Planalto seis anos depois de um encontro de cineastas com a presidente Dilma e que estava neste evento "por amor". Ela voltou a elogiar o trabalho de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no setor da Educação.

"Foi um trabalho social estrondoso e talvez será preciso alguns anos para entenderem o que está acontecendo na educação", afirmou Anna. "Algum dia subirá (à presidência) uma presidente da república que será uma Jéssica no futuro e que seu coração estará cheio de gratidão", completou a cineasta, se referindo à personagem de "Que horas ela volta" 

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